O populismo dos empregos

Não vai ser pera doce para o Governo aproximar-se ao número dos quinhentos mil empregos prometidos na campanha eleitoral. No tempo que falta para o fim deste mandato, o melhor é assumir já que a meta é impossível de alcançar. A conjuntura económica não ajuda. O preço baixo do barril do petróleo, essencial para a diversificação da economia, impossibilita que se continue a sonhar com tais números. A isto soma-se tudo o resto, vias de comunicação em mau estado, serviços do Estado ineficientes e, vamos lá, alguma incompetência e também muito fraca cultura empresarial. Por fim, assumamos, a inutilidade da maioria da potencial mão-de-obra (não arrisco dizer capital humano). Não treinada, não instruída e sem cultura de trabalho. E é nisto que se anuncia uma feira do emprego da forma mais incompetente e não profissional que se pode imaginar num país em que o desemprego supera todos os números enganadores que se tem anunciado. A confusão que se gerou só não deu em tragédia porque o diabo resolveu ser “cunanga” ontem. O populismo é sempre perigoso. Por que não se apelou ao uso das tecnologias de informação? Por que não se anunciou o perfil das empresas presentes e dos candidatos necessários? Milhares e milhares de pessoas a entregar papéis? Era isso o pretendido? As imagens do que se conseguiu acabam por ser humilhantes para o Estado, para o Governo e para os jovens atraídos para uma brincadeira de mau gosto. Mas fica claro: quando se fala de desemprego em Angola não se está a brincar.

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