Moxico expectante com revitalização da Fazenda de Camaiangala

A anunciada revitalização da Fazenda Agro-Industrial de Camaiangala, na província do Moxico (Leste de Angola), está a gerar uma enorme expectativa nas autoridades e população locais, ansiosas por ver este empreendimento a produzir alimentos, criar empregos e promover o desenvolvimento sócio-económico da região, fundamentalmente nas áreas rurais

Os contratos de concessão do projecto de revitalização da fazenda foram aprovados pelo Decreto Presidencial número 91/16, de 4 de Maio de 2016, que delegou poderes ao Ministério da Agricultura, para a sua execução.

A concessão tinha uma duração de 60 anos, com opção de se estender por mais 30 anos, num investimento estimado em 100 milhões de dólares americanos, sendo USD 55,6 milhões durante os primeiros três anos de actividade. De acordo com o governador provincial do Moxico, Gonçalves Muandumba, para quem o pleno funcionamento da fazenda pode resolver os problemas alimentares da população da região e não só, o relançamento do Projecto Agro- Industrial de Camaiangala está a depender do futuro vencedor do concurso público aberto no dia 16 de Junho deste ano para a sua privatização.

Com uma área de 70.400 Hectares, a fazenda, criada em 2014, tinha, como principais culturas, grãos, sementes de óleo e arroz. Na época agrícola 2014/15, produziu três mil toneladas de milho, encontrando-se inactiva desde 2016, por falta de financiamento. Inicialmente, a fazenda era suportada por uma empresa de portfólio do Fundo de Investimento Agrícola, a “Private Equity África Agriculture” (Fazangola), administrada pela “Quantum Global Group”. Tinha como propósito, nos cinco anos subsequentes, cultivar 26.600 Hectares de terra, com uma potência de produção agrícola de 100 mil toneladas de produtos diversos, visando a redução da dependência do mercado internacional em termos de aquisição de alimentos. O projecto Fazangola previa, ainda, a médio prazo, transformar a Camaiangala num parque de agro-negócios, onde seriam desenvolvidas actividades adicionais de agro-alimentação e processamento.

Pretendia, igualmente, ser um operador do sector agrícola responsável e respeitador da legislação angolana, aplicando as me lhores práticas internacionais, para mitigar o impacto social e ambiental das suas operações. Fornecer produtos agrícolas e serviços básicos de Saúde e Educação à população local, assim como desenvolver as melhores práticas de agricultura sustentável que respeitem os biótopos, era, também, um dos objectivos do projecto. No acto de apresentação do concurso público para a privatização de quatro fazendas, a chefe do departamento de Privatizações do Estado, Ana Paulo, revelou que as mesmas estão avaliadas entre 22 e 35 milhões de dólares americanos. Por seu turno, o administrador executivo do IGAPE, Gilberto Luther, elucidou que o processo foi desencadeado por iniciativa do Instituto de Gestão de Activos e Participação do Estado (IGAPE), e estende-se até este mês de Setembro.

Afirmou que o mais importante para o Estado, neste segundo processo de alienação, é dar prioridade a investidores nacionais ou estrangeiros que consigam activar e dinamizar a capacidade produtiva da fazenda. Depoimento de antigo técnico da fazenda Um dos funcionários da Fazenda de Camaiangala acredita que, caso seja relançado, o empreendimento pode “brilhar” em termos de produtividade. Contratado pela antiga gestão – Cofergepo – para prestar serviço de manutenção do equipamento da fazenda, o técnico agrónomo afiançou que, em 2017/2018, a unidade agrícola produziu cerca de 400 toneladas de milho e 35 de soja.

Depois de lamentar que, actualmente, a fazenda só dispõe de cinco trabalhadores, apenas para fazer a manutenção do equipamento técnico, lembrou que, em 2017/18, o empreendimento também produziu fuba de milho, pela empresa chinesa “Citic”, em parceria com a Gesterra. Ainda segundo o especialista, além da produção de milho e soja, a fazenda chegou a criar cerca de 180 suínos, para a alimentação dos trabalhadores, mas, devido à falta de um veterinário e fármacos para o tratamento adequado, o número reduziu para 60.

Desolação dos habitantes dos bairros que circundam a fazenda

O soba Camuleque, líder do bairro com o mesmo nome, que dista sete quilómetros da fazenda, disse que, apesar da produção anterior não ter beneficiado de forma directa os habitantes da aldeia, a unidade ajudou muito, ao oferecer empregos a cerca de 50 jovens da localidade. Assim, o também camponês sugeriu ao Governo que, além de dar prioridade à implementação de grandes empreendimentos agropecuários, também preste atenção às pequenas empresas e à agricultura familiar, que “fazem a economia acontecer”.

A autoridade tradicional disse ter consciência da crise económica que afecta o país e encorajou o Executivo no sentido de revitalizar o funcionamento da fazenda, para empregar o pessoal local e contribuir para a melhoria das condições de vida da população. Disse que valorizava e tinha boas recordações do emprego, por lhe ter permitido construir a sua casa no bairro Mazemba, que dista 17 quilómetros da fazenda, bem como sustentar e matricular o filho no ensino secundário, na sede municipal de Camanongue, “o que antes era impossível”.

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