Antes que os esqueçam

Adriano Mendes de Carvalho, actual governador do Cuanza- Norte e fi lho do nacionalista Agostinho Mendes de Carvalho, reclamou, há dias, contraa a falta de reconhecimento ao legado do seu pai, falou sobretudo do facto da toponímia em Angola ainda não ter contemplado o nome do seu pai, nem a uma praça, um hospital, uma rua, o que for. E tem razão. Neste aspecto Angola comporta-se como um país com memória de vento.

Há outros vários nomes que estão esquecidos. Angola normalmente aprimora-se na arte de enterrar pessoas e o seu legado. Quanto muito, dedica-se a encontrar formas de manchar a história de quem tenha feito alguma coisa pelo país. Há milhares de angolanos a quem o país nega o mínimo de reconhecimento. Os do processo cinquenta ainda são falados nos dias de hoje apenas porque alguns deles estão entre nós.

Veja- se o que aconteceu com os protagonistas do 4 de Fevereiro, com os muitos nacionalistas que sofreram nas cadeias do Missombo, S. Nicolau, Tarrafal e noutras. Luandino Vieira, se não for pelos seus livros, é um nome quase esquecido, aliás, mesmo na literatura a razia é enorme, não temos nomes do passado, os jovens de hoje conhecem alguns “artistas” que sujam papel e se dizem escritores.

O Estado angolano odeia quem escreve, odeia a memória, odeia sobretudo a memória escrita. Não temos literatura sobre as mulheres e os homens que entregaram a vida pela nossa nacionalidade. Não tarda, teremos mais angolanos com os nomes em ruas portuguesas e de outros países do que em Angola. E não espanta que o país ande aos trambolhões sem saber para onde vai, sem o rico fardo da memória. As suas únicas referências são o “eu” e o agora.

error: Content is protected !!