João Lourenço consulta história no Museu do Qatar

O Presidente da República, João Lourenço, visitou no princípio da tarde de ontem o Museu Nacional do Qatar, tendo sido informado sobre o objecto social e cultural, o simbolismo da geografia física, humana e económica deste projecto arquitectónico erguido na capital do pequeno e rico emirato

Depois da visita guiada às instalações inauguradas a 28 de Março deste ano, o estadista angolano despediu-se dos membros da direcção do monumento de arte a céu aberto projectado pelo arquitecto francês Jean Nouvel.

Foi a Doha em visita de Estado de dois dias, onde assistiu à assinatura de seis acordos de cooperação, além de ter visitado a Fundação Qatar e um estádio de futebol para o Mundial de 2020. Antes do Museu esteve também na Biblioteca Nacional do Qatar, que possui mais de um milhão de livros, sendo 850 mil em físico e 300 mil em formato digital. Quanto ao Museu, consta que o seu arquitecto sempre idealizou, a quem se deslocasse ao “sítio”, ter uma experiência sensorial para se sentir no deserto ou no mar. A estrutura simboliza os mistérios do deserto e sugere um padrão entrelaçado, que representa as rosas encontradas nele, por isso se acredita que este “ícone é a expressão concreta do processo de identificação do Qatar”. Em Março, na inauguração, Jean Nouvel explicou a essência da obra, relacionando-a com a geografia física, humana e económica do país, juntamente com sua história.

Segundo o francês, do museu cada um voltará com imagens que ficam gravadas para sempre na memória. Preenchem o interior do Museu Nacional do Qatar uma série de obras de arte, desde a arquitectura, música, poesia, arqueologia e história, com elementos polidos numa estética futurista sustentada por discos sinuosos.

Patrocinada pelo emir (governante) do país, sheik Tamim bin Hamad bin Khalifa Al-Thani, a obra fica na capital, Doha, onde era o antigo palácio histórico do Sheikh Abdullah bin Jassim Al-Thani, monarca do Qatar. Antigamente, o local era a sede de Governo nacional e casa da Família Real. Por dentro do Museu Nacional do Qatar Para o desenho, Jean Nouvel inspirou-se numa flor característica da região, conhecida como rosa- do-deserto, que se desenvolve em África (zona dos países árabes de África e Ásia), em condições adversas e quando minerais se cristalizam no solo em ruínas, abaixo de bacias de sal, no Golfo. É uma estrutura arquitectónica criada pela própria natureza. A partir das pétalas delicadas dessa flor, o desenho ganha estruturas complexas de grandes discos de diferentes diâmetros e curvaturas. O formato irregular e os ângulos variados do museu foram o grande desafio da construção, tornando o monumento uma experiência arquitectónica, espacial e sensorial única.

Assim, as 11 galerias ficam espalhadas em círculos e um pátio centralizado serve para eventos culturais ao ar livre, embora os discos gigantes também apareçam no interior, gerando volumes fragmentados para proporcionar luz e sombra ao mesmo tempo. Na fachada, um tom de branco, puxado para a cor da areia harmoniza- de com o concreto, enquanto a paisagem urbana em meio ao deserto aparece na parte de trás.

O museu é classificado e de quatro estrelas pela sua sustentabilidade, de acordo com os parâmetros do Global Sustainability Assessment System (órgão internacional que certifica museus), e é o primeiro a receber a certificação LEED Gold, um selo para construções verdes ao redor do mundo. Aberto ao público, o museu leva os visitantes a uma jornada ao passado do país, ilustra a formação da península do Qatar há milhões de anos e oferece oportunidades educacionais e culturais da nação à escala mundial.

E estão expostas mostras sobre a sucessão ao trono dos emires do Qatar, com a história do país e conhecimento sobre suas origens. Foram investidos 356 milhões de euros. O edifício, erguido junto ao mar, em Doha, levou 18 anos a construir e ocupa 40 mil metros quadrados. Nouvel é o mesmo desenhista do Louvre de Abu Dhabi, museu à beira-mar (80 mil metros quadrados), na capital dos Emiratos Árabes Unidos, principal adversário político-económico do Qatar no Médio Oriente. Angop

 

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