Júlia Mbumba: “O Ministério da Cultura só destrói a Cultura Angolana”

O desabafo foi feito pela jornalista à margem da abertura da casa de leitura Livrus Ponto Com, em Luanda. Um estabelecimento focado na promoção da Cultura Angolana

A jornalista e secretária- geral da Associação Muzangala, Júlia Mbumba, afirmou, em entrevista exclusiva a OPAÍS, que o Ministério da Cultura só está a destruir a cultura angolana. Júlia Mbumba desabafou após ter contactado a referida instituição no quadro de um projecto apresentado que não teve qualquer tipo de apoio. “Criámos projectos do género por saber que há necessidade.

Mas, com o passar do tempo, vimos que não se consegue fazer nada, porque nem o próprio ministério apoia. Não nos referimos ao apoio financeiro, mas sim ao apoio moral, que é sempre melhor do que o financeiro, a nosso ver”, disse. Júlia acrescentou que O MINCULT tem de aprender a ser mais sério e há pessoas que fazem Cultura, sem a conhecer. “Acho que a Cultura é das coisas que devemos assumir com maior seriedade, e, pelos vistos, está a ser muito desvalorizada”, realçou.

Aconselhou as entidades às quais estão atribuídos determinados cargos no MINCULT, a deixarem para os que entendem da matéria, no verdadeiro sentido da palavra, uma vez, que, caso assim não ser proceder, continuaremos sempre na estaca zero. A secretária defende ainda que esta instituição do Estado deve trabalhar seriamente e desenvolver políticas que facilitem a abertura de projectos, como também para pessoas interessadas em fazer cultura.

Para a jornalista, só o escritor Boaventura Cardoso (2002-2010) trabalhou de facto como ministro da Cultura. No seu entender, “a juventude deve começar a pensar que não está a estudar. Tem que reflectir e saber que somos angolanos. Estamos a sair de um lugar e vamos para o outro”, disse Júlia Mbumba.

Burocracia na materialização de projectos culturais

Quem também se manifestou contra a forma de actuação do Ministério da Cultura foi Mário Von Haff, da Associação Muzangala, indignado protestou contra a acção burocrática no tratamento de licença, para a materialização de projectos e actividades culturais. “Se continuarmos a complicar a documentação para o funcionamento de uma instituição, mesmo sem fins lucrativos, vários projectos morrerão por aí”, frisou.

A legalização é, no seu entender, uma coisa muito simples, que se pode fazer num só dia, mas em Angola leva 2 e, certas vezes, 3 meses, o que acaba por frustrar a vontade de quem, de facto, quer e tem feito cultura. “Todos nós temos uma responsabilidade para com a sociedade e não podemos reclamar apenas, mas também temos de fazer a nossa parte. Aqueles que podem, são, sobretudo, os que já estão formados, e têm a responsabilidade de deixar os seus legados”, realçou.

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