Agente da Polícia invade hospital no ebo e mata três pessoas

Um agente da Polícia Nacional (PNA), identificado por Noé Arnaldo Anacleto, matou três pessoas a tiro e deixou outras três gravemente feridas por motivos passionais, ao invadir na noite de domingo o Hospital Município do ebo, província do Cuanza- Sul, revelou ontem, a OPAÍS, Mateus Balaque, porta-voz local da corporação

Por:Milton Manaça

O crime aconteceu na noite de Domingo, 8, por volta das 23 horas, quando o agente de 34 anos de idade, também conhecido por Árabe, desferiu vários golpes à facada a uma vizinha, amiga da sua mulher, por alegadamente ter insinuado que ele tinha uma relação extraconjugal, segundo o director de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial. Ferida, a vítima deslocou-se ao referido hospital em busca de cuidados médicos. Todavia, o agente, apercebendo-se que ela sobrevivera ao seu ataque, deslocou-se até ao local de serviço (Comando Municipal do Ebo) de onde retirou uma arma do tipo AKM.

De seguida, rumou até à referida unidade hospitalar. Assim que chegou à rua onde a mesma está localizada, começou a disparar indiscriminadamente como se pretendesse anunciar a alguém que perderia a vida naquele momento. Os habitantes do bairro da Ilha, no Ebo, de maior de idade, entraram em polvorosa, pois o som dos disparos levou-os a recordar um os momentos mais difíceis das suas vidas, a época da guerra. Cada um se refugiou onde achou que estaria mais seguro.

A mesma sorte não tiveram alguns transeuntes. A primeira vítima foi um jovem que trabalhava como subgerente de um banco local, atingido mortalmente à saída de um evento cultural. A imagem do bancário atirado no chão e contorcendo- se de dores não abrandou a fúria de Árabe. Prosseguiu a marcha. Tão logo irrompeu pelo hospital, disparou contra um enfermeiro e o acompanhante de um paciente. A Polícia foi alertada da ocorrência e fez deslocar ao hospital uma equipa para tentar impedir o pior. Quando o detiveram, os três cidadãos já estavam mortos.

Feridos inspiram cuidados

Mateus Balaque contou ainda que outras três pessoas que ficaram gravemente feridas são um individuo de 15 anos, a cozinheira do hospital e a senhora (vizinha de Árabe) que sofreu os golpes a facada. Pela gravidade das lesões, os três pacientes foram evacuados para o hospital do Sumbe, capital da província, onde se encontram internados. O seu estado inspira cuidados, segundo o director de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial da PN. O agente “homicida”, que estava destacado na secção de administração e serviços do Comando Municipal do Ebo, já está sob custódia da Polícia e vai responder a um processo-crime instaurado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), por se tratar de um crime público. Para além deste, de acordo com Mateus Balaque, responderá também a um processo disciplinar que pode culminar com a sua expulsão da corporação. “Ele pode vir a ser expulso porque não reúne condições para servir uma corporação de capital importância como a Polícia Nacional”, disse.

Questionado sobre como o agente em causa, mesmo não estando em serviço, conseguiu entrar no Comando Municipal e de lá sacar uma arma, o responsável respondeu que dados preliminares apontam que por ser membro da corporação, “o seu colega que estava em serviço viu-o nessa condição. Não tinha como desconfiar que faria aquilo”. Mateus Balaque esclareceu que durante o período em que Árabe se encontra enquadrado na Polícia, nunca teve um comportamento errado no exercício das suas funções.Por outro lado, garantiu que a corporação prestará apoio às famílias para a realização dos funerais das vítimas, em colaboração com a Administração Municipal do Ebo.

Mais de 10 mortos no ano passado

Em 2018, de acordo com a contagem paralela do jornal OPAÍS, agentes da Polícia Nacional fizeram mais de uma dezena de vítimas (entre mortais e com ferimentos graves), por disparo com a arma de fogo. Este ano, pelo menos 18 cidadãos foram vítimas de um tiro feito por um agente em situação de indefesos, ou sem que tivessem oportunidade para se defenderem. O sociólogo criminal Mário de Lemos, na ocasião, disse a OPAÍS que muitos agentes não fazem refrescamento das suas actividades. Recomendou a avaliação periódica da idoneidade e da responsabilização psicológica dos agentes da Polícia.

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