Greve na Sonagás marcada para amanhã

Trabalhadores prestadores de serviço na Sonangol Gás Natural (Sonagás) estão dispostos a entrar em greve, a partir de amanhã, pelo facto de não serem enquadrados no quadro de pessoal daquela empresa. Segundo Zacarias Jeremias, da CGSILA, não houve consenso com a entidade empregadora e, por isso, avançam com a greve

Por:Romão Brandão

A greve na Sonagás aparece pelo facto de o grupo de trabalhadores de empresas prestadoras de serviços ver-se injustiçado, porquanto prestam serviço há bastante tempo e já deviam passar automaticamente ao quadro da Sonagás, de acordo com Zacarias Jeremias, membro do comité nacional da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) em entrevista ao Jornal OPAÍS. Um ponto importante é o enquadramento deste pessoal nos quadros da empresa em questão e “a empresa respondeu que não seria possível fazer o enquadramento do pessoal imediatamente, isto é, a partir de hoje e os dias que se seguem, mas sim no dia 31 de Dezembro. Deixar para o último dia do ano é praticamente dizer que fica para 2020. Os trabalhadores não aceitam e estão dispostos a entrar em greve amanhã”, confirmou ao Jornal OPAÍS.

Segundo o entrevistado, há pelo menos 7 províncias com trabalhadores nesta situação e “nós queremos acabar com isso, porque estão nesta condição (de prestadores de serviço) 90% dos trabalhadores da Sonagás, isto é, mais de 160, nos nossos registos”, denunciou. Por outro lado, estes prestadores de serviços auferiam um salário de 1200 dólares, que antigamente valia a pena, mas este valor foi convertido no câmbio de 10 mil e até ao momento, apesar de o câmbio ter mudado, os trabalhadores continuam a ganhar no câmbio anterior e o salário ainda atrasa. Diz ainda que os directores das empresas prestadoras de serviços, que também pertencem à direcção da Sonagás, têm sobrefacturado com o dinheiro pago pela própria Sonagás.

“Se forem à Sonagás não encontrarão nenhum destes prestadores de serviços identificado ou uniformizado como funcionários da empresa, mas todos estão equipados e identificados como trabalhadores da Sonagás”, reforçou. Zacaria Jeremias disse que o esquema, que acha ser uma exploração autêntica, funciona da seguinte forma: a Sonagás paga às empresas prestadoras um “bom dinheiro” e estas, por sua vez, pagam aos trabalhadores (que dão no duro) um salário miserável. “O regime jurídico de cedência de trabalhadores para as empresas públicas é de dois anos e nós temos trabalhadores com até 22 anos de prestação de serviço na Sonagás. Por isso, já deviam ser enquadrados”, reivindica.

Recuaram, mas não desistiram da greve Recorde-se que na última negociação com a entidade empregadora os trabalhadores receberam por escrito um documento que orientava aos sindicalistas que criassem uma comissão junto das empresas prestadoras de serviço e da Sonagás para ultrapassar este problema. Na resposta da Sonagás, a que o Jornal OPAÍS teve acesso, o Grupo Sonangol diz não estar alheio às preocupações e por isso mesmo decidiu “criar uma equipa de trabalho interna, que deverá trabalhar arduamente durante o próximo mês para, com o apoio da CGSILA, apresentar ao Conselho de Administração propostas de resolução do problema”. Apesar de os trabalhadores não concordarem por não verem a necessidade de se criar mais comissões porque os pontos do caderno reivindicativo são claros, assim procederam.

Tudo o que os trabalhadores querem é que a Sonagás deixa de pagar às empresas prestadoras de serviço e passe a pagar directamente aos trabalhadores, e estes assinem o contrato de trabalho por tempo indeterminado. Na exposição da Sonagás lê-se ainda que “a Sonangol está num processo de regeneração para garantir a eficiência e sustentabilidade do negócio, o que nos obriga a rever os processos organizativos de modo a optimizar a receita proveniente da nossa actividade operacional.

Para esta optimização, temos de conhecer as situações que V. Exas apresentam na vossa carta e promover a melhor resposta”. A direcção da Sonagás mostrase disposta a colaborar, mas propõe que o processo de enquadramento seja feito a 31 de Dezembro, data que os trabalhadores acham muito tarde. Não havendo entendimento, a única opção que lhes resta é a paralisação que começa nas primeiras horas de trabalho do dia de amanhã, Quinta feira, 12 de Setembro.

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