Sou através do outro

Eu tenho noção de mim mesmo pela relação com os outros e com o que me rodeia, se não tivesse noção do outro, como teria noção de mim? Mas isto são fi losofi as que não interessam agora. Bem, não é assim, resumindo, há em Angola gente que existe através do outro, que é tentando ser o outro, ou em função do reconhecimento do outro, ou sei lá. Mas sei ao que venho. Nas revistas de imprensa das nossas televisões e rádios há uma preocupação tão grande de ler títulos de Portugal, do Brasil, etc., que até parece recíproco. Não é. Aqui ignora-se os títulos nacionais para se ler as primeiras capas de Lisboa, lá passam os anos e mais anos e nada, ignorância total, não estão nem aí para nós, não lêem os nossos títulos e ponto fi nal, ainda que a manchete tenha interesse para a humanidade, preferem esperar que uma agência ou jornal estrangeiro pegue no assunto. Europeu ou americano de preferência. Aí passamos a existir. Há uma outra forma, instalada nas rádios, que passa por gravar separadores, jingles, peças promocionais, etc., no mais puro “brasileiro”, com vozes brasileiras, sotaque e acento brasileiros e até com expressões brasileiras. Em Angola, claro. Para passar a existir através do Brasil, de certeza, porque como angolanos o deserto é tanto que perdem a noção de si mesmos. Juro que não é filosofia, eu só falei!

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