Corpo de Mugabe já está no Zimbabwe, mas local de sepultamento ainda é um mistério

O corpo do fundador do Zimbabwe, Robert Mugabe, chegou ao aeroporto principal do país na Quarta-feira, mas o local do seu descanso final permanece uma fonte de mistério em meio a uma disputa entre alguns membros da família e o Governo

Mugabe, um dos últimos “grandes homens” da política africana que governou o país da África Austral por 37 anos até ser destituído pelo seu próprio exército, em Novembro de 2017, morreu num hospital da Singapura há cinco dias. Ele está a provar ser tão polarizador na morte quanto na vida, pois a luta por onde ele será enterrado ameaça embaraçar o seu sucessor, o Presidente Emmerson Mnangagwa, e aprofundar as divisões no partido governante, ZANU-PF. O corpo do ex-Presidente chegou ao Aeroporto Internacional Robert Gabriel Mugabe, em Harare, pouco depois das 13h30 TMG. Um guarda de honra militar ficou em sentido quando o caixão foi removido da aeronave, coberto pela bandeira nacional e acompanhado pelos chefes da segurança. “Toda a nação do Zimbabwe, o nosso povo, está de luto e de luto porque a luz que nos levou à Independência não existe mais, mas as suas obras e a sua ideologia continuarão a guiar esta nação”, disse Mnangagwa. “No dia em que descansarmos, no Domingo, apelo a você, a centenas, milhares e milhões para mostrar o seu amor pelo nosso grande líder que nos deixou”, acrescentou. A esposa de Mugabe, Grace, vestida de preto com um véu preto, estava ao lado de Mnangagwa no aeroporto. Também estiveram presentes a filha de Mugabe, Bona, e Salvador Kasukuwere, exministro do Gabão e aliado fiel que vive em exílio auto-imposto na África do Sul desde o início deste ano. O vice-presidente Constantino Chiwenga, o exgeneral que liderou o golpe que derrubou Mugabe, foram notáveis pela sua ausência no aeroporto. Ele recebe tratamento na China desde Julho por causa duma doença desconhecida. Multidões juntaram-se no aeroporto bem antes da hora prevista de chegada, com algumas pessoas trajando camisolas com o rosto de Mugabe e outras com a imagem de Mnangagwa, enquanto a música tocava nos alti- falantes.

Um comboio de veículos 4×4 com matrículas com as letras “RG Mugabe” e a assinatura do ex-líder também estavam na pista.

Telhado azul

Leo Mugabe, um sobrinho e porta-voz da família, recusou- se a dizer onde Mugabe seria enterrado. Mnangagwa disse que o corpo seria levado à casa palaciana de Mugabe na capital, conhecida como Telhado Azul, depois de um desvio para um quartel militar para orações. Hoje, espera-se que zimbabweanos e apoiantes prestem os seus últimos respeitos a Mugabe num estádio de futebol de Harare, onde o corpo ficará antes de ser levado para a sua casa rural em Kutama, a 85 Km da capital. Mnangagwa e o seu partido querem que Mugabe seja enterrado num monumento nacional aos heróis da guerra de libertação contra o regime rodesiano de minoria branca. Mas alguns dos parentes de Mugabe manifestaram-se contra esse plano. Eles compartilham a amargura de Mugabe pela maneira como ex-aliados, incluindo Mnangagwa, conspiraram para derrubá-lo e o querem enterrado na sua aldeia natal. O enterro de Domingo ocorrerá um dia após o funeral de Estado, mas autoridades disseram que o local do enterro só seria conhecido após consultas com a família. Mugabe deixou para trás uma economia destruída pela hiperinflação e corrupção profundamente arraigada, e uma rivalidade política entre o ZANU- PF e o MDC da oposição. O MDC disse num comunicado divulgado na Quarta- feira que adiou o seu comício de celebração dos 20 anos por causa do funeral de Mugabe. “Não obstante as nossas diferenças lendárias com Mugabe, não temos motivos para demonstrar barbárie ao sediar uma festa nacional durante o seu funeral”, diz o comunicado do MDC

 

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