Sem esperar pelo Estado

Se o Estado não faz, os cidadãos assumem. Isto poderia bem ser posto assim, mas não é necessariamente assim, os cidadãos têm sempre responsabilidades com as comunidades, para com os que os rodeiam. Infelizmente são poucos os que fazem, que sentem, que se entregam, os que querem e colocam a mão na massa para a construção de um mundo melhor. Em Angola têm surgido bons exemplos, principalmente na instrução. Se o Estado não construiu escolas sufi cientes, se o Estado não construiu bibliotecas sufi cientes, se o Estado assistiu do camarote à extinção das livrarias sem mexer uma palha, ignorando que isso é meio caminho para a sua decadência, Tchissola Mosquito bateu portas, incomodou, arranjou livros e põe milhares de jovens das periferias a ler. Entrega-lhes o mundo. Que também lhes pertence. Adelmiro Japão parou na rua, em pleno Rocha Pinto, o bairro dos problemas, e pôs-se a ensinar gratuitamente a cento e cinquenta crianças, sem paredes. Tandala, uma jovem nascida em Luanda, instalou-se na Praça 1º de Maio e começou a ensinar o kimbundu a quem passasse, a dar cultura aos donos que não a conheciam. Há jovens angolanos com vontade, inconformados com a visão de um futuro de obscurantismo. Mas conscientes de que o Estado, este, continuará a assistir a partir do seu camarote de presumidos burocratas, ignorantes, que não mexerão uma palha para os ajudar. Convém-lhes o atraso de milhões.

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