Transporte e acessos comprometem desempenho dos professores no Longonjo

Os mais de dois mil Kwanzas despendidos em cada dia de trabalho nem sempre são necessários para superar o percurso Huambo-Longonjo e desta sede municipal para Chilata, na comuna de Catabola, dizem os professores, que antevêem dias difíceis, devido às chuvas.

Alberto Bambi

Alguns professores destacados em escolas de zonas distantes do município do Longonjo, provincia do Huambo, como é o caso da Chilata, disseram que o seu trabalho, às vezes, fica comprometido, por causa da falta de transportes e do mau estado da via que liga a sede municipal a essa e outras localidades.

“Se para vir do Huambo para a sede do município já é difícil, mais problemática ainda é a viagem que se faz daqui para a Chilata, porque o caminho que dá para lá é péssimo”, disseram os entrevistados de OPAÍS, que preferiram o anonimato. Segundo eles, neste período em que não cai chuva a situação parece estar normal, mais ainda com a terraplanagem que se vai fazendo até Catabola, a sede da comuna a que pertence a área da Chilata, considerada por si apenas como meio de um percurso que avaliam com mais de 60 quilómetros.

Para os professores, que não recearam apresentar-se como forasteiros, o mais difícil não é chegar cedo às paragens de táxis no Huambo ou na Caála, mas ter a sorte de encontrar um carro com esses serviços para os levar à sede do Longonjo. Os entrevistados, que dizem ter perdido as contas do dinheiro que gastam mensalmente para chegar ao local de trabalho, revelaram que, até à Catabola ainda existe um ou outro carro, mas daí para Chilata o percurso é, normalmente, completado de motorizada.

“Quando chove muito, os motoqueiros recusam-se a chegar ao nosso destino, submetendo-nos a outras alternativas difíceis, além de termos de pernoitar na Chilata, por alguns dias, contaram os professores, tendo revelado que a proposta de pagarem a dobrar costuma a convencer os motociclistas a vencerem os obstáculos da via. autocarro que, certas vezes, entra em cena, cobrando a mesma taxa do Huambo até Chilata, quando não chove na região.

Incumprimentos do programa

Para Hilário Sangonga, o director municipal da educação do Longonjo, as preocupações são inúmeras, mas sai à tona a das vias, porque tornam os acessos a certas zonas do município quase impossíveis, principalmente no período chuvoso. “Pois, por causa disso, os nossos docentes têm imensas dificuldades de chegar às escolas onde estão destacados para poderem cumprir as suas actividades”, disse o director, tendo informado que as faltas, os atrasos e incumprimentos dos conteúdos programáticos estão entre as consequências imediatas na missão do ensino e aprendizagem.

Mostrando-se sensível às situações por que passam os seus colegas, Hilário Sangonga admitiu haver ocasiões em que ele e a sua equipa não tem como sancionar os docentes, porque conhecem e convivem com os mesmos problemas todos os dias. “Há dias que a chuva intensa não pára e precisamos compreender que o colega que vem do Huambo ou da Caála não tem qualquer alternativa para se deslocar pelo menos até à sede do município”, assegurou o dirigente, que relatou cenários de professores que vão mesmo à paragem e não encontram transporte.

Reforma, outro problema

Hilário Sangonga falou da necessidade da substituição dos professores que vão para a reforma e dos que falecem, porque o processo não é tão automático, daí que tais situações que ocorrem no Longonjo acabam por criar um desfalque no quadro do pessoal docente. “Aliás, a par disso, deu a conhecer que o seu elenco costuma a resistir aos pedidos de transferência, porque não encontra outros mecanismos de cobertura. O dirigente gostaria de ver o dossier da reforma tratado em igual proporção de um horizonte temporal do cumprimento do dever, por parte do funcionário.

Ou seja, da mesma maneira que se sabe que tantos docentes deverão ir para a reforma num determinado ano, assim também devia haver já disponibilidade para se ocupar a vaga deixada, de acordo com o interlocutor deste Jornal. “Às vezes, os responsáveis locais têm de encontrar alguns mecanismos para cobrir o vácuo.

Essas engenharias passam por colocar nas escolas cujas vagas estão abertas outros professores, tirando-os de outras escolas onde há mais quadros, acabando por se ocupar o sub-director pedagógico, o director ou o secretário”, informou. Assegurou, finalmente, que ele e a sua equipa do município não se cansam de estudar estratégias internas que ajudem a superar o quadro actual desses e outros professores. “Mas, quando a solução já depende de cobertura financeira, isso ultrapassa-nos, porque cobra de nós esperar por ordens superiores”, asseverou o director municipal da educação do Longonjo.

 

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