Tribunal diz que documentos retirados por Zé Maria do SISM custaram mais de USD 2 milhões ao Estado

Os documentos sobre a batalha do Cuito Cuanavale retirados pelo antigo de chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general Zé Maria, da sede dessa instituição foram adquiridos pelo Estado ao preço de 2 milhões, 486 mil e 478 dólares americanos, de acordo com a pronúncia lida ontem na primeira audiência de julgamento

Por: Paulo Sérgio

O documento, lido por um funcionário do cartório do Supremo Tribunal Militar, diz que o montante foi entregue ao cidadão luso-sul-africano- moçambicano Manuel Vicente da Cruz Gaspar. Fez ainda referência de que esses (do Cuito Cuanavale) não foram os únicos documentos retirados. Ao aperceber-se da retirada dos documentos da instituição, o novo chefe do SISM, general Apolinário Pereira, informou ao general Francisco Garcia Miala, chefe do Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado.

Ambos foram arrolados ao processo como declarantes,com vista a contribuírem para a descoberta da verdade material, de acordo com a acusação lida ontem por Elias Dias dos Santos, membro da instância do Ministério Público. Miala, por seu turno, levou o assunto ao Comandante-em-Chefe das FAA, João Lourenço, tendo deste recebido a ordem de que deveria orientar ao general Zé Maria para que, no prazo de 24 horas, fizesse a devolução dos documentos por se tratar de património do Estado angolano, de acordo com a acusação.

O contacto foi feito, porém, o general na reforma por limite de idade negou-se a aparecer na sua antiga instituição, escolhendo um território neutro: o restaurante Jango Veleiro, à entrada da Ilha de Luanda. Embora não se trate do local de serviço, Miala anuiu e, em companhia do seu adjunto José Coimbra Baptista Júnior, foi ao seu encontro. No local, Zé Maria convidou o general Miala a entrar numa viatura para abordarem os factos que se impunham. “Foi transmitido ao acusado a ordem do Presidente da República, João Lourenço, para que procedesse à entrega de todo o acervo relacionado com a Batalha do Cuito Cuanavale e demais documentação que se achava em sua posse num período de 48 horas”, diz o Ministério Público.

Diz ainda que Zé Maria se negou, pois se encontrava a trabalhar na FESA com José Eduardo dos Santos, a entidade que lhe entregara todo o acervo sobre a Batalha do Cuito Cuanavale, sobre o qual estava a trabalhar. “Sugeriu então que o Presidente da República contactasse o antigo Presidente José Eduardo dos Santos, para que deste o acusado recebesse a orientação para assim proceder”, consta no documento

 

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