Com o surgimento da imprensa em Angola, no século XIX, a Literatura Nacional passou a ser muito conhecida. A maior parte dos jornalistas era escritor, o que facilitava na disseminação da arte. Mas actualmente, o quadro é inverso, lamenta o jornalista octaviano Correia

 

Por:Adjelson Coimbra

O jornalista e escritor Octaviano Correia censurou a prestação actual da Comunicação Social angolana pela fraca promoção da Literatura Nacional, nesta Quarta-feira, 17, no quadro da habitual “Maka à Quartafeira”, nas instalações da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda. Octaviano Correia exprimiase à luz do tema “A Importância do Jornalismo na Promoção e Divulgação da Literatura Angolana”. Desde o surgimento da imprensa no século XIX, a literatura angolana teve diversas fases de desenvolvimento. A maior parte dos escritores era jornalista, o que facilitava na disseminação desta arte.

Entretanto, o quadro mudou e, actualmente, para Octaviano, pouco se tem promovido os escritores, descartando a possibilidade de ser no sentido de “dar a cara”, mas sim, no de se mostrar os seus textos. Nenhum órgão de Comunicação Social tem, pelo menos, um programa virado para a literatura, de acordo com o escritor, que considera péssimo este facto, pois estáse a perder o hábito de ler. “Antigamente, tínhamos suplementos, dentro dos periódicos, que promoviam os autores de livros. Na Rádio Nacional também havia programas que convidavam escritores para falar sobre literatura. Eu tinha um programa, o Boa Noite Angola, em que convidava escritores a falarem sobre as suas obras. Havia também revistas literárias e muitos outros instrumentos disseminadores da literatura”, lembrou.

Crítica

Em parte, também acusa os actuais órgãos de comunicação social pela perda do hábito de leitura pelo facto de os mesmos não estarem a cumprir as suas obrigações de formadores de consciência, opinião e ideologia. Apesar de serem decretadas ordens a priorizar a literatura em órgãos de comunicação social, ainda se verifi ca um índice muito elevado de pessoas que não lêem, segundo Octaviano. “O jornalismo tem de dar abertura para se falar, publicar ou incentivar a literatura”, rematou.

Professora enaltece evento

Domingas Montes, professora de Literatura da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, considerou pertinente o tema por elucidar o “casamento” existente entre Literatura e Jornalismo, facto que a impulsionou a levar consigo os seus estudantes, como mote de uma aula. O balanço feito à saída do encontro foi de satisfação, augurando participar noutros assuntos do género. A profi ssional de Letras manifestou- se entristecida com o índice de pessoas que não lêem em Angola e classifi ca as actividades do género como incentivadoras, por incitar aos jovens a amar a Literatura. Por sua vez, Manuel Isaac Suma, estudante que também considerou pertinente a actividade, afi rma que este tema constitui “o abrir alas para um novo horizonte da literatura angolana”. Agora, que tomou conhecimento da interdisciplinaridade entre o Jornalismo e Literatura, prometeu ler mais jornais para o seu evoluir enquanto académico.

Importância da literatura

Além de a literatura servir de transmissor da tradição oral, mensagens ou testemunhos verbalmente transmitidos em discurso ou canção que podem tomar a forma, por exemplo, de contos, provérbios, baladas, canções ou cânticos, Domingas Montes acrescenta que esta ciência versada em letras remete- nos a duas dimensões. “Segundo o ensaísta português Carlos Reis: a dimensão da cosmovisão – é a partir da literatura que nós alargamos o nosso conhecimento, a nossa visão e a nossa mundo-evidência. Outro aspecto tem a ver com o signo ideológico – é a partir da Literatura que nós vamos ter convicções, ideias e fundamentações. Ao lermos sobre Literatura Angolana vamos alargar o nosso conhecimento daquilo que é o país, a fi cção que os nossos escritores trazem e aquilo que é o conhecimento que essas obras literárias nos trazem”, disse.

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