“Não comprei os documentos com dinheiro do SISM”

A audiência de julgamento prossegue hoje com a audição de mais declarantes. o general Zé Maria confirmou que os documentos (razão do julgamento) são do exército sulafricano e não foram codificados como secretos pelas fAA. Informação contrariada pelo seu antigo adjunto, tenente-general Carlos Felipe

Por:Paulo Sérgio

O antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general Zé Maria, declarou ontem, em tribunal, que não adquiriu os documentos sobre os envolvimentos das tropas sul-africanas na Batalha do Cuito Cunavale com dinheiro da instituição que dirigia.

À instância da equipa de juízes do Supremo Tribunal Militar, liderada pelo juiz conselheiro António dos Santos Neto “Patónio”, declarou que os montantes lhe foram disponibilizados pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que manifestara, durante uma reunião com alguns dos seus colaboradores directos, a sua preocupação com a falta de bibliografia que narra as batalhas travadas de 1975 até aos nossos dias.

Disse que além de si, o então Comandante- em-Chefe convoca para a ludida reunião o general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” (então chefe da Casa de Segurança do Presidente da República), José Menas Abrantes (ex-secretário de Estado para os Assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa do Presidente da República de Angola), Aldemiro Vaz da Conceição (antigo porta-voz da Presidência), Frederico Cardoso (antigo secretário do Conselho de Ministro). Quanto a si, disse que foi convocado para a reunião não na condição de chefe do SISM, mas de alguém que participou na batalha.

Explicou que José Eduardo dos Santos manifestou que era necessário que se escrevesse sobre tais batalhas para que a juventude a conhecesse. No entanto, dos cinco participantes, apenas ele, o arguido, cumpriu, por razões que considera objectivas. Uma vez que participou, durante 14 anos, no posto de comando avançado criado tanto pelo Presidente António Agostinho Neto, de que era secretário, como por José Eduardo dos Santos, no teatro das operações da guerra contra a invasão Sul-Africana. “A maneira que encontrei para provar que foram as Forças Armadas que venceram a Batalha do Cuito Cunavale foi comprar os documentos das mãos do inimigo em que eles assumiam que perderam a guerra. Não foi com dinheiro do SISM”, frisou, tendo referido que foi com um dinheiro que não estava no Orçamento dessa instituição.

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