PR ausculta cidadãos “discriminados” pelo Executivo

 

 

Durante o encontro de concertação social com o Presidente da Republica, João Lourenço, os cidadãos da província do Moxico disseram sentir-se discriminados, pela ausência de políticas públicas que visem resolver os problemas ligados a habitação, estradas, hospitais e instituições de ensino

Por:Domingos Bento

Os cidadãos da província do Moxico queixaram-se ontem ao Presidente da Republica, João Lourenço, de se sentirem discriminados pelo Executivo angolano devido ao acentuado nível de dificuldades que a região enfrenta. Durante o encontro do Conselho Provincial de Concertação Social, os cidadãos manifestaram tristeza ao Presidente da República pelo facto de a província encontrar-se em verdadeira sonegação no que ao desenvolvimento diz respeito.

Segundo o presidente da Associação Provincial dos Antigos Combatentes, Meireles Chimbieca, diferente de outras regiões do país, o Moxico foi esquecido pelo Executivo angolano, que prefere construir projectos de grande impacto social noutras regiões do país em detrimento daquela parcela do Leste.

Sobre a situação dos seus associados, Meireles Chimbieca deu a conhecer ao Presidente que aquela franja da sociedade vive numa autêntica penúria, apesar de terem dado toda a sua força e juventude em prol da libertação do país. Pereira Ichinguieta disse que, devido à falta de atenção e de apoios, muitos antigos combatentes não conseguem ser cadastrados para receberem o devido apoio do Estado, por viverem em localidades distantes e de difícil acesso.

Esta situação, frisou, tem feito com muitos acabem atirados ao esquecimento e agarrados a uma vida de miséria, sem dignidade pelos esforços consentidos em prol da pátria. “Não temos nada. Os antigos combatentes vivem numa miséria, não têm o mínimo para sobrevir. Sofremos tanto, nem parece até que lutamos para libertar o país”, lamentou o líder associativo.

Terra da paz com carência de tudo

Por seu lado, o representante do Conselho local da Juventude, Zacaria Caquarta, disse que, apesar de o Moxico ser a mais extensa província do país, é a que mais dificuldades sociais enfrenta. Zacaria Cativa apontou a falta de centralidades, de estradas, de hospitais e de mais instituições de ensino médio e universitário como sendo dos piores entraves que vêm adiando o desenvolvimento da conhecida “terra da paz”.

A falta de políticas públicas para o combate ao desemprego e a ausência de programas de formação profissional e de micro créditos constituem outras das preocupações apresentadas pelo representante da juventude local. “Queremos uma aposta na formação profissional para fomentar a mãode- obra local.

A juventude do Moxico passa por muitas dificuldades e gostaríamos que fossem resolvidas para nos igualarmos aos jovens de outras partes do país”, defendeu. Já a representante da sociedade civil, elizabth Miza Aires, pediu a atenção do Presidente da República na Construção de habitação social, o aumento da capacidade de distribuição de água, o aumento da capacidade de energia eléctrica em todas as capitais municipais, a reabilitação e construção de estradas secundarias e terciarias de formas a promover a mobilidade de pessoas e mercadorias.

A activista cívica sugeriu igualmente a extensão do perímetro da cidade do Luena e a construção de mais salas de aulas para retirar o universo de cinco mil crianças e jovens que, actualmente, se encontram fora do sistema de ensino,

Estado angolano não discrimina ninguém

Em resposta às preocupações dos cidadãos, o Presidente da República disse que não é verdade que o Moxico seja discriminado pelo Executivo. Segundo João Lourenço, o Estado angolano não discrimina nenhuma província do país. Conforme esclareceu, a província do Moxico vive os mesmos problemas que as outras províncias do país e há esforços a serem empreendidos de forma a resolvê-los.

De acordo com o Chefe de Estado, os problemas do Moxico são comuns aos de todo o país, nomeadamente a questão das vias de comunicação, as infraestruturas de ensino e de saúde, habitação, água e energia. “Nós conhecemos os problemas de todo o país. Não é correcto dizer que atendemos melhor as outras províncias em detrimento da província do Moxico.

Os problemas são iguais em todas as províncias. Os problemas do país ainda não estão resolvidos”, frisou. João Lourenço reconheceu as dificuldades e disse que o Governo está atento e por isso está a dar a atenção aos problemas sociais, resolvendo a nível local, tendo apontado o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) como o instrumento que vai dar soluções aos problemas que afectam as comunidades locais.

“Não discriminamos nenhuma província. O estado angolano não tem memória curta e nem é ingrato. Todas as províncias enfrentam dificuldades. Não há nenhuma província que pode se gabar que tem os problemas todos resolvidos. Vamos indo resolvendo as preocupações dos cidadãos à medida que houver maior disponibilidade de recursos”, atestou.

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