Sem prémios

O concurso para o Prémio Imprensa Nacional de Literatura terminou em nada nesta sua primeira edição. Nem vencedor, nem menção honrosa para ninguém, angolano não sabe escrever, perdeu a poesia da vida, não proza mais a alma, os sentimentos. Nem aquilo que vê na sua realidade e que é matériaprima para muitos e muitos grandes livros. Ou não? Se calhar o valor do prémio não era aliciante. Se calhar a escrita é pura perda de tempo no país, porque não é valorizada, porque não dá para tapar o buraco de um dente. Se a capacidade criativa foi interrompida algures no tempo, ou pela péssima qualidade do ensino (vamos pagar o preço da brincadeira, e bem caro), ou pela malnutrição que agora revela os seus efeitos no intelecto. Não sei, apenas me assusta que num concurso nacional nenhum dos trabalhos apresentados tenha qualidade para merecer ao menos uma menção honrosa. E não é a primeira vez que tal ocorre. Neste país em que nos habituamos a que os vencedores de concursos não tinham de ser necessariamente os melhores, parece que desta vez a cunha fi cou de fora, o que seria muito bom de ser seguido em todos os outros concursos, para que vença o mérito quando o houver e para levantar a fasquia que estimula o empenho, a responsabilidade, o trabalho.

error: Content is protected !!