Huambo adopta PAT como veículo da figura do professor

“Recorde-se que o Programa Aprendizagem para Todos (PAT) se propõe a atribuir uma dose de formação aos professores primários que os obriga a mudar a sua cultura de actuação na sala de aula”, dizem os dirigentes locais

Por:Alberto Bambi

O chefe do Departamento do Ensino Geral da Direcção Provincial da Educação do Huambo, Abel da Silva, reafirma a necessidade de se encarar o Programa Aprendizagem para Todos (PAT) como um veículo para o professor alcançar o verdadeiro figurino, face aos desafios que, actualmente, o ensino impõe. “Pelo facto de a mensagem do PAT ser de aproximação do professor ao aluno e de juntos estarem perto dos meios e recursos de ensino, além de profetizar um clima de integração ou inclusão, o projecto deve ser concebido pelos educadores como o meio para se atingir o modelo do professor, considerado há muito perdido”, disse o chefe do ensino geral.

Abel da Silva, que também é o responsável das Zonas de Influência Pedagógica (ZIP) afectas ao PAT no ciclo provincial do Huambo, assegurou que o referido projecto veio para garantir o alcance da qualidade do ensino requerida, de modo a se alcançar o desenvolvimento e sustentabilidade dos povos. Por causa disso, o dirigente recordou que, nesse contexto, o ponto de partida é a escola, na pessoa do professor, já que, para educar, primeiro é preciso ser.

Salientou, por outro lado, que o Projecto Aprendizagem para Todos dá a oportunidade de o professor aprender e reaprender, ao ponto de se servir da diferenciação pedagógica, que lhe confere competências necessárias para colocar no centro do processo de ensino e aprendizagem o aluno, para ter resultados positivos.

“Dá, igualmente, ao docente primário ferramentas necessárias para que em actividades lectivas haja mais mestria, pautando- se por uma escola inclusiva, onde o conhecimento só é válido se for partilhado, salientou Abel da Silva,” tendo acrescentado que, por isso, o projecto também cobra do professor responsabilidade na leitura e escrita correctas e domínio de operações aritméticas ou de outras.

O interlocutor de O PAÍS lembrou que, na sua forma e concepção, o PAT assume desafios constitucionais das nações, que visam o compromisso de garantir o acesso à educação universal e de qualidade a todas as pessoas que, por si só, constituem a riqueza fundamental e a expressão máxima do activo mais importante e decisivo para o desenvolvimento sustentável.

Outro factor invocado por si como de elevada importância das dez escolas do município-sede da província a consideraremse como uma amostra, tirada de um todo, com o fim único de servirem de modelo e mostrar o caminho para o sucesso do sector. Pediu que, cientes do compromisso de dar o testemunho do que aprenderam na formação, não decepcionassem a província no que ao cumprimento da missão com zelo e dedicação dizia respeito.

“Porque, se isso acontecer, vão impedir que os outros professores ainda não contemplados com o Projecto Aprendizagem para Todos tenham essa oportunidade”, referiu Manuel Cambiambia, para quem a formação dos professores primários deve ser um programa contínuo. Deixou em aberto que está patente uma soberana ocasião para cada um mostrar a sua capacidade de responsabilidade e de actuação, de modo a assegurar o projecto com o dever que se impõe. De acordo com os responsáveis da Direcção Provincial da Educação do Huambo, a província alberga seis mil e 674 professores, dos quais 184 estão a beneficiar do PAT. Para este ano lectivo, estão matriculados 319 mil e 941 alunos, estando 206 mil inscritos no ensino primário.

Educadores aceitam o desafio Para os professores Evaristo Vidal e Emiliana Leite o desafio assumido pelo sector tem razão de ser, uma vez que a formação contínua se tem debatido com a questão da figura do docente, assentando no perfil deste agente da educação a consolidação da qualidade de ensino. “Se há uma coisa de que as crianças mais falam do professor é o que tem para dar, o que ele veste, o que ele é como pessoa, daí que se torna urgente e necessário termos o nosso perfil como preocupação”, disseram, adiantando que o PAT já transmite uma carga bem dosificada sobre essa componente do instrutor primário. Os entrevistados fizeram questão de recordar aos colegas e às outras pessoas envolvidas directa ou indirectamente no processo de ensino e aprendizagem que a necessidade invocada é, diariamente, cobrada pelos objectivos que o professor ousar traçar para qualquer aula.

“Nós temos de esboçar os objectivos que obedeçam às componentes do saber, saber fazer e saber ser”, detalharam, tendo informado que, nesta última, está a exigência de fazer vincar a personalidade ou perfil a serem forjados no aluno, a partir de um paradigma de comportamento do educador. Embora tenham insistido em falar da influência que a maneira de ser e estar do professor causa no aluno, foram as professoras Eugénia Victória e Albertina que assumiram admitindo que cada turma se comporta em função do reflexo que o professor faz passar na sala de aula e na vida.

Servindo-se dos seus 30 anos de serviço, a professora Albertina contou que já lidou com situações em que os pais e encarregados de educação obrigavam a direcção da escola a retirar seus filhos de certa turma porque o professor não era um exemplo na sociedade”.

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