Cresce índice de pobreza no seio da população angolana

Quarenta e oito por cento da população angolana residente no país vive em pobreza multidimensional e Angola figura entre os 55 países do Mundo onde a situação de fome é considerada grave, diz Garcia Víctor Matondo

Por:Ireneu Mujoco

Os dados foram revelados ontem, em Luanda, por Garcia Víctor Matondo, no Fórum Inter-Religioso. Dissertando o tema “ O Papel da Igreja nas Estratégias de Construção da Paz e do Desenvolvimento Sustentável”, sublinhou que um em cada dois angolanos vive na pobreza multidimensional, com uma taxa de 88,2 por cento nas áreas rurais e 29,9 por cento nas urbanas, citando como fonte o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Garcia Matondo afirmou que, entre os dez indicadores, as privações em ano de escolar e a nutrição são os que mais contribuem para a pobreza multidimensional em Angola. Outro factor apontado pelo palestrante, para o agravamento da pobreza no nosso país, é a taxa de desemprego que cresceu de 8, 88% para 28,8% nos últimos dois anos. A corrupção também tem contribuído para o elevado índice de pobreza, e, segundo Garcia Matondo, no sector público Angola está na 165ª posição de um conjunto de 180 países.

Paz não é ausência da guerra Sobre o tema em discussão, a fonte sublinhou que a nova geração de angolanos está consciente de que a verdadeira paz não é a ausência da guerra ou o calar das armas, mas o estado de “calmia, harmonia, concórdia e tranquilidade”. Segundo o religioso, a paz social, económica e psicológica deve reinar no seio das famílias, salientando que sem ela não se pode falar de desenvolvimento sustentável. Realçou que a igreja, de uma forma geral, sendo um grupo religioso e organizado, sempre teve um papel preponderante na promoção a paz e no trabalho para o desenvolvimento sustentável.

No que tange a paz social e económica, reforçou que o emprego qualificado ou produtivo, mas devidamente remunerado, constitui uma das formas por via das quais as pessoas em idade activa podem realizar-se e contribuir para o crescimento do país. Garcia Matondo, que falava em representação do Conselho das Igrejas Congregacionais de Angola(CICA), disse que a igreja reconhece os esforços do Estado angolano pelo empenho de criar anualmente mais de 200 mil empregos. Entretanto, disse a fonte, nos últimos tempos esta tendência parece baixar, e, ante a situação, vários quadros angolanos formados no estrangeiro, antes e depois da Independência, não voltam a Angola devido à actual conjuntura sócio económica que o país atravessa. Para atrair estes quadros, Garcia Matondo defende que o Governo crie a paz social e económica.

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