Escalando o “epicentro” da solidariedade na China

“Aquele que não escalou a Grande Muralha não é homem de verdade”, diz um ditado popular chinês. Trata-se de um monumento, classificado como património da humanidade, que chega a ter, no total, 21198,18 km e que atraí turistas de várias partes do mundo

Por:Paulo Sérgio

O sol abrasador, típico dessa época do ano (Verão)em Beijing, capital da China, “advertia” aos turistas estrangeiros e nacionais que ousariam escalar um dos troços da emblemática Grande Muralha, construída há mais de 2.000 anos por Qin Shi Huang, o primeiro Imperador da Dinastia Ming, que não seria fácil. Entre os visitantes, de diversas nacionalidades, estavam 18 profissionais de comunicação social angolanos, guiados por Fang Fen, directora da Divisão de Formação de Comunicação Internacional do Centro de Educação e Formação do Grupo China Internacional Publicações, Fei Qianyi (Fiona), Liu Yuxuan (Dora) e Lin Ziqi (Iris), tradutoras voluntárias deste centro

. Mal o autocarro em que seguiam se juntou às dezenas de veículos de igual e menor capacidade estacionados num dos parques de estacionamento, as guias distribuíram a cada um recipientes de 500 milímetros de água para consumirem ao longo da escalada. Seguiram-se as recomendações de que quem tivesse chapéu seria uma mais-valia e que, para quem quisesse ir ao banheiro antes de se aventurar, podia fazê-lo. Ao descerem da viatura, bastaria virar à direito

Na passagem pela portaria que dá acesso ao perímetro onde se situam as entradas para o monumento paga-se, no entanto, o valor não foi revelado pelas nossas guias. A imagem que surge a frente prende a atenção de todos, o “quintal” da Grande Muralha de Badaling que está no centro das montanhas com duas secções: Gubeikou e Jinshanling. Várias lojas e restaurantes, instalados em imóveis castanhos, com arquitectura típica chinesa, situados à direita, demonstram a importância que se dá ao turismo por essas paragens. Para facilitar a comunicação com os potenciais clientes, os comerciantes anunciam a designação ou a especificidade dos estabelecimentos em pequenos placardes fixados por cima da porta, escritos em chinês, mandarim e inglês. Defronte dos referidos estabelecimentos há vários bancos e mesas de betão disponíveis para os visitantes descansarem ou saciarem a fome ou a sede, sem qualquer cobertura contra o sol.

Para se refugiarem dos raios, alguns sentaram- se no passeio das lojas e outros refugiaram-se na sombra de uma árvore imponente que tem à sua volta alguns bancos, situada defronte a uma loja de venda de café. No lado oposto há outro empreendimento, cuja fachada principal está pintada a vermelho e verde, situado num ponto mais alto em relação às lojas de conveniência. O mesmo não passa despercebido aos visitantes por ter em frente da sua porta duas estátuas de leões, que na tradição chinesa representam protecção.

Ao seu lado estão dois pinheiros em crescimento, plantados pelo homem, que fazem um casamento perfeito com a vegetação existente nas montanhas em que foram construídas as muralhas. “Esta trilha é mais fácil, porém mais longa e tem menos pessoas”, disse Fiona, uma das nossas guias, apontando para a muralha que se encontrava à nossa esquerda. Virou- se para a outra secção, situda no lado oposto, e esclareceu que era a mais curta, porém, a mais difícil. Ao contrário da outra, que estava praticamente sem ninguém, a maioria dos turistas ousava escalar os mais de 1500 degraus da trilha mais curta. “A decisão é de vocês. Temos que sair por onde entramos.

Alias, é a única saída”, concluiu. Almerinda Mateta Feijó, integrante da delegação angolana, respondeu de imediato, em nome do colectivo: “vamos subir a mais curta e mais difícil”. Como ninguém se opôs, seguiu-se a recomendação de que deveríamos regressar duas horas depois, isto é, às 11h40. Na medida em que fomos escalando os primeiros degraus, sem recorrer ao corrimão de ferro instalado ao longo de todo o caminho, fomos recebendo mensagens de incentivo das pessoas com as quais nos cruzávamos.

A língua não se transformou em empecilho. Em mandarim, russo, espanhol, alemão, inglês, francês, árabe ou italiano, cada um manifestava, como achava que poderiam fazer-se compreender, juntando as palavras e o gesto, com mensagens de encorajamento aos que se iniciavam na aventura. Samuel Cabral, como cristão, recordou o sofrimento de Jesus Cristo no momento em que transportava a cruz e subiu rezando pelo povo chinês, contemplando a majestosa beleza natural.

Quando a musa vira fonte de energia

Walter Cristóvão, chefe de reportagem da Rádio Ecclésia, assumiu, logo no início da escalada, o desafio de chegar ao topo em homenagem à sua amada esposa que se encontrava em Luanda. “A minha esposa está a viver uma fase com-

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