Escolas de campo e caixas comunitárias são as novidades para época agrícola 2019/2020

Ao invés de campos de experimentação, sector preconiza implementar conceito de escolas de campo para fazer transferência de conhecimento para a potenciação e maximização da produção agrícola

Por:André Mussamo

Escola de Campo e Caixa Comunitária são as duas grandes inovações do ano agrícola 20191/20120. A primeira iniciativa vem substituir os campos de experimentação e conta com o apoio do Fundo das Nações Unidades para alimentação (FAO), enquanto a segunda visa promover a autopoupança entre cooperativas de agricultores e camponeses reunidos em pequenos grupos. As novidades foram anunciadas pelo director-geral adjunto do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), José Fernandes, na véspera do lançamento da campanha 2019/2020, que traz como outra novidade a disponibilização de 60 mil novas charruas de tracção animal, um aumento significativo de meios, representando o quádruplo em relação a meios similares empregues na época anterior.

A expansão da produção das culturas de massambala e massango para as regiões não-tradicionais (Cabinda, Uíge, Malanje, Cuanza Norte, Bengo e Luanda) e a constituição de stocks no Norte, visando o escoamento para o Sul, em caso de estiagem é outras das muitas novidades que o sector preconiza implementar doravante, assegurou José Fernandes.

A próxima campanha, cuja cerimónia inaugural está marcada para 3 de Outubro na província de Malanje, o ministério prevê disponibilizar também 20 mil toneladas de fertilizantes compostos e simples, sementes, calcário dolomítico, enxadas, catanas, limas, machados e assistência técnica de pelo menos um milhão, 309 mil e 580 famílias camponesas. Está ainda prevista a disponibilização de 3 mil toneladas de sementes de milho melhorado, 200 toneladas de feijão, 100 toneladas de massambala e cinco toneladas de sementes de algodão para fomentar o cultivo.

Espera-se ainda que a agricultura empresarial tenha “alguma palavra a dizer” nesta e nas próximas épocas tal é o ambiente “favorável” que está a ser implementado com a alienação de extensas propriedades criadas com recursos a fundos públicos e que se mantinham inoperantes, assim como “facilidades e bonificações” para empreendedores que efectivamente queiram dedicar-se ao negócio agro-alimentar.

O Executivo continuar a encorajar projectos no sector da agricultura, não apenas como forma de inverter a tendência de “importar quase tudo”, mas igualmente porque um boom neste sector é uma boa forma de preparar o país no sentido de criar valências exportáveis, concebendo produtos de qualidade e, consequentemente, competitivos nos mais variados mercados em que Angola está engajado, a começar pelo da SADC.

A agricultura é ainda “um sector de absorção de mão-deobra em massa” pelo que a sua revitalização é igualmente um caminho assertivo para a inversão da tendência do aumento do desemprego que grassa no seio da população em idade produtiva. Entretanto, um dos maiores handicaps do sector agrário em Angola continua a ser a baixa dotação orçamental que lhe é destinada pelo Executivo.

Por exemplo, no OGE em vigor a dotação orçamental do sector é de 0,4 por cento do OGE, percentagem considerada “ insuficiente”. O director-geral adjunto do IDA garante que para “alívio do sector” a fatia que lhe é reservada tinha de atingir a cifra de 10%. “A maior preocupação do sector agrícola centra-se na superação do défice alimentar que Angola regista, mas este problema não está a ser resolvido por causa dos poucos recursos financeiros disponíveis”, justifica.

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