Mais de 40 mortos em duas explosões no Afeganistão, incluindo num comício do Presidente

Ataques foram reivindicados pelos Taliban. Ashraf Ghani saiu ileso. As eleições presidenciais são a 28 de Setembro.

Dois ataques suicidas no Afeganistão causaram mais de 40 mortos esta Terçafeira. Um dos atentados visou um comício político onde o Presidente, Ashraf Ghani, ia falar, mas o mandatário escapou ileso.

A primeira explosão ocorreu em Charikar, a capital da província de Parwan, a Norte de Cabul, e foi reivindicada pelos Taliban. Segundo a BBC, o autor do atentado seguia numa motorizada, aproximou-se de um checkpoint próximo do local do comício e accionou o engenho explosivo. Houve mais de 30 feridos, segundo as autoridades locais, que dizem haver crianças entre as vítimas.

O director do hospital de Charikar, Abdul Qasim Sangin, dizia à Reuters ao final da manhã que “o número de vítimas podia aumentar”. Ashraf Ghani, que procura ser reeleito para um segundo mandato nas eleições no final do mês, estava no comício, mas não sofreu qualquer ferimento, de acordo com os seus assessores.

Poucas horas depois, uma segunda explosão matou pelo menos 22 pessoas no centro de Cabul e deixou 38 feridos. O atentado ocorreu perto da Praça Massood, um local muito movimentado, e também da Zona Verde, uma zona fortemente vigiada por ser um perímetro onde se localiza o quartel-general da OTAN no país, a embaixada dos EUA e vários edifícios governamentais.

Ambos os atentados foram reivindicados pelos Taliban e surgem a menos de duas semanas das eleições presidenciais, cruciais para a estabilização política do país – em Outubro do ano passado houve eleições legislativas. A situação de segurança no Afeganistão tem apresentado sinais de forte degradação. O mês de Agosto foi especialmente violento, com uma média de 74 mortos por dia, de acordo com um levantamento da BBC, na sua maioria em situação de combate, embora um quinto das vítimas seja civil.

O pior incidente ocorreu a 18 de Agosto, quando um bombista suicida se fez explodir durante os festejos de um casamento em Cabul, matando 92 pessoas e deixando mais de 140 feridos. Iémen, o Governo de Riade deixa a entender que o Irão estará por detrás do ataque e alerta para o efeito da estratégia de Teerão, considerando que a ameaça terrorista ainda não terminou. O Irão nega as acusações de autoria do ataque, admitindo que tenha sido feito pelos rebeldes Houthis, em legítima defesa, contra os bombardeamentos sauditas no Iémen. Para averiguar a origem exacta do ataque, a Arábia Saudita anuncia que vai convidar especialistas internacionais e da ONU para que participem nas investigações.

“O reino tomará todas as medidas apropriadas à luz dos resultados dessas investigações”, explicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, alinhando com a posição ontem anunciada pelos EUA, cujo Presidente, Donald Trump, disse que decidirá uma retaliação ao ataque ao seu aliado “quando houver conclusões seguras” sobre a sua origem. Perante a condenação ao ataque de Sábado por vários países, a coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen já tinha pedido à “comunidade internacional para assumir a sua responsabilidade, para denunciar quem está por detrás”.

 Esse ataque foi reivindicado pelos islamistas do Daesh. O grupo islamista tem intensificado os seus ataques com o objectivo de pôr em causa a realização das eleições, que consideram ilegítimas. “As pessoas foram avisadas. Não participem nos comícios eleitorais do Governo fantoche, porque todos esses encontros são um alvo militar nosso”, afirmaram os militantes, num comunicado depois dos atentados.

Na semana passada, o Presidente dos EUA, Donald Trump, pôs fim ao mais recente esforço de negociação com os Taliban, apesar de manter o desejo de cumprir a promessa da retirada militar norte-americana do país. Desde que foram derrubados do poder, em 2001, por uma invasão militar norte-americana, que os Taliban tentam regressar. Porém, nunca mais voltaram a igualar a capacidade militar que chegaram a deter. Nos últimos anos, o aparecimento do Daesh, que actua sobretudo na fronteira paquistanesa, abriu uma nova frente de batalha na disputa pelo estatuto de principal força de oposição armada às autoridades afegãs, apoiadas por Washington.

 

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