Bienal de Luanda privilegia diversidade cultural africana

O festival é uma plataforma de reflexão sobre o futuro de África, com abordagens focadas na educação, na ciência e na cultura ao serviço da Cultura de Paz no continente, na prevenção de conflitos e o papel dos media na promoção da paz

O Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, foi o palco da abertura, esta Quarta-feira, da I Edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, pelo Presidente da República, João Lourenço. Na sua intervenção, o Chefe de Estado angolano destacou a I Bienal de Luanda como um espaço privilegiado para promover a diversidade cultural africana, para o intercâmbio mútuo em todos os sectores que se dedicam a cultivar a Cultura da Paz e não-violência. Trata-se de uma plataforma única para os governos, para a sociedade civil, para a comunidade artística e científica, para o sector privado e as organizações internacionais debaterem e definirem estratégias sobre prevenção da violência e dos conflitos em África, sob construção de uma paz duradoura. O Presidente realçou que a presença de jovens angolanos e de jovens provenientes de vários cantos de África, das várias diásporas africanas, são uma garantia de que muitas ideias surgirão dos vários debates de trocas culturais e desportivas programadas, como refere o tema principal da Bienal ““Construir e Preservar a Paz: Um Movimento de Vários Actores”. No entender do governante, este é um processo que exige a participação consciente de todos, dentro e fora de África, que se preocupam com as questões candentes que urge resolver. “Convém dar uma especial ênfase à promoção da Cultura, à educação e à investigação, o papel que podem desempenhar as organizações da juventude e das mulheres e os meios de comunicação tradicionais e digitais na prevenção de conflitos e na promoção da Cultura da Paz, reforçou. Mau uso das redes sociais O Presidente João Lourenço alertou igualmente a juventude a abster-se do uso das redes sociais para desinformar e adulterar a realidade dos factos com o objectivo de criar convulsões sociais Adiantou que a crescente importância das redes sociais no seio da juventude deve ser aproveitada para o reforço da Cultura da Paz e de não-violência. O estadista sublinhou que exemplos recentes em vários países têm demonstrado o perigo que as redes sociais representam quando utilizadas para desinformar e adulterar a realidade dos factos, com o objectivo de criar convulsões sociais como meio de pressão para a remoção do poder de governos legítimos e democraticamente eleitos. Para o governante, é necessário encontrar soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas que África ainda vive, tais como a fome, a miséria, as doenças, o analfabetismo, as desigualdades sociais, o desemprego galopante e o terrorismo, que fomentam o tribalismo e xenofobia, dividindo os africanos. Tais situações, segundo João Lourenço, atrasam o harmonioso desenvolvimento dos países africanos e o bem-estar das suas populações. No seu entender, uma das grandes tarefas reservadas às lideranças políticas do continente e aos diferentes actores da sociedade civil tem a ver com os objectivos da União Africana, na sua agenda para a promoção de uma cultura de paz e de nãoviolência, denominada “Silenciar as armas até 2020”. Esse objectivo, disse, “é aparentemente difícil de atingir, mas o legado que nos foi deixado pelos grandes líderes do nosso continente constitui, para nós, uma fonte de inspiração para os esforços que temos que empreender para pôr termo definitivo aos conflitos que, lamentavelmente, persistem no continente”. Já o prémio Nobel da Paz 2018, o congolês, Denis Mukwege, durante a sua intervenção, defendeu a preservação da verdadeira identidade africana para uma efectiva promoção da Cultura de Paz ao nível do continente. Referiu que o alcance das aspirações da agenda 2063 sobre o Desenvolvimento de África assinado em 2013 só será alcançado caso se desenvolva a Identidade Africana Autêntica, o respeito dos Direitos Humanos e a diversidade cultural, o espírito da solidariedade e de não-violência. Presente na cerimónia, a directora da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, incentivou os governos a observarem os compromissos na manutenção da paz, por se tratar de um alicerce importante para a promoção da qualidade de vida da população. Apelou a todos no sentido de preservar a paz alcançada com muito esforço, devendo-se assim reafirmar, de forma permanente, o seu compromisso individual e colectivo com a qualidade de vida que esta acarreta para os povos. O certame, que se prolongará até Domingo, reúne participantes de países das seis regiões do nosso continente: Norte de África, África Ocidental, África Oriental, África Central, África Austral e da Diáspora (Américas, Caribe, Europa Ocidental e Oriental, Médio Oriente e Ásia). Ontem, os primeiros painéis de debate foram a Aliança dos parceiros para a Cultura da Paz, animados pelos presidentes João Lourenço, de Angola, Hage Geingob, da Namíbia, Ibrahim Boubacar Keïta, do Mali, e pelo Prémio Nobel da Paz de 2018, Denis Mukwege. A Bienal prossegue noutros eixos, como, o Museu Nacional de História Militar e áreas adjacentes e no Memorial Dr. António Agostinho Neto, com um leque diversificado de atracções. O certame, visando a promoção da harmonia e irmandade entre os povos através de actividades e manifestações culturais e cívicas, com a integração das elites africanas é organizado pelo Estado angolano, União Africana e UNESCO.

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