CASA-CE deplora situação sócio-económica do país

Com dois anos de mandato do Presidente da República, João Lourenço, Miau considera difícil avaliar o desempenho do seu Executivo, sendo que muitas das suas políticas basilares ainda estão a “fermentar”

presidente da coligação CASA-CE, André Mendes de Carvalho, disse ontem, em Luanda, que a actual governação, que vai a meio do seu primeiro mandato, ainda não conseguiu dar resposta adequada aos inúmeros problemas sociais e económicos que têm deixado o país “estagnado”.

Falando em conferência de imprensa, que serviu para analisar a situação sócio-económica do país, assegurou que a coligação que dirige tem acompanhado com preocupação a actual situação política, económica e social do país. Segundo o político, a situação sócio- económica está marcada por um “generalizado sentimento de frustração e insatisfação popular, reflectido em constantes protestos, manifestações e greves contra o Estado”.

Acrescentou que a situação social em Angola agrava-se a cada dia, com a subida contínua dos preços dos bens e serviços básicos, e poderá agudizarse com o surgimento de novos impostos, exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Mostrou-se inconformado com as obrigações do FMI que orientam taxar não só os subsídios de Natal e de férias, mas também os idosos, medidas tributária que estão longe de estimular a produção interna. “Vão diminuir o poder de compra dos cidadãos, que na sua esmagadora maioria vive abaixo de três dólares por dia, valores irrisórios para suprir as despesas relativas à alimentação, educação e saúde”, disse o político.

Avançou ainda que a dois anos de mandato do Presidente da República, João Lourenço, considera difícil avaliar o desempenho do seu Executivo, sendo que muitas das suas políticas basilares ainda estão a “fermentar”. Reconheceu que o seu Governo herdou uma situação económica difícil que não melhorou, e, como consequência, vêm-se reduzindo as esperanças que o povo nele depositou. “Teve êxitos no exercício da diplomacia, mas falhou na política de implementação do repatriamento de capitais por falta de mais diálogo para o sucesso dos objectivos pretendidos”, observou.

Apontou também alguns problemas que afectam a população, como a seca no Sul do país, a elevada taxa de desemprego e a recente feira de oportunidades de emprego, estágio e formação profissional, que não correspondeu às expectativas. Os serviços de saúde, a subida contínua dos preços dos bens de primeira necessidade, as debilidades do sistema de ensino, a recessão económica que o país tem registado, nos últimos anos, foram igualmente reflectidos neste encontro com a imprensa.

Soluções

Sobre a subida de preços, apresenta como possíveis soluções o aumento da produção e não agravamento excessivo dos impostos. Quanto ao desemprego, defende que a solução passa pela implementação de políticas de incentivo ao empreendedorismo e de criação de pequenas e médias empresas.

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