Cidadãos do 4 de Abril descontentes com o administrador de Benguela

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

Cerca de 100 cidadãos, de um grupo de desalojados na sequência das demolições que ocorreram na Sexta-feira, 13, no bairro 4 de Abril, em Benguela, em obediência a uma ordem judicial, forçaram ontem, Quartafeira, 18, um encontro com o administrador com o objectivo de obter apoio das autoridades, mas sem sucesso Inicialmente, a intenção do grupo era forçar um encontro com o governador provincial de Benguela, Rui Falcão, mas, na sede do Governo Provincial, foram aconselhados a dirigir-se a Administração Municipal de Benguela, entidade responsável pela gestão de terras nesta circunscrição.

Os cidadãos pretendem obter algum apoio das autoridades, uma vez que, segundo justificaram, famílias estão ao relento e a acção do tribunal apanhou-lhes de surpresa. Entretanto, fontes da Administração contrariam a posição dos cidadãos e explicaram a OPAÍS que não está a haver da parte dos desalojados coerência, a julgar pelo facto de, em Março deste ano, terem sido aconselhados pelo órgão judicial a pararem as construções que vinha fazendo em terreno alheio. A fonte acrescentou que os cidadãos simplesmente não obedeceram ao embargo imposto pelas autoridades judiciais. “Na placa com a inscrição “embargo”, eles, simplesmente, apagaram”, esclarece, considerando tal comportamento uma afronta às autoridades.

Os cidadãos manifestam-se insatisfeitos com os resultados da viRgíLio Pinto reunião que mantiveram Quarta- feira, 18, com o administrador municipal de Benguela e, por essa razão, acusam-no de ser insensível para “os problemas do povo”. Os moradores do 4 de Abril reiteraram ao administrador que dispunham de documentos que lhes conferiam a titularidade do espaço, havendo inclusive quem, na mesma ocasião, tivesse argumentado ser detentor do espaço desde 1990. “Na altura, meu filho, ainda era lavra”, justificou-se a cidadã Malesso, em entrevista a OPAÍS”.

Administrador recusa dar apoio

Numa curta declaração à imprensa, logo após a reunião “forçada”, o administrador de Benguela, Carlos Guardado, descartou qualquer apoio da sua instituição e confirma que o espaço é mesmo pertença de um grupo empresarial, que ergue um projecto habitacional. “Os empresários são detentores do espaço. Foram a tribunal e ganharam a questão e houve ordem de demolição”, explica, acusando os ocupantes de terem violado a lei. Inconformado com o administrador, de acordo com Alberto Matias, o encontro com o Carlos Guardado não surtiu os efeitos desejados, e pretendem contactar o governador provincial de Benguela, Rui Falcão, na tentativa de encontrar uma solução plausível.

Agente da polícia suspeito de tentativa de roubo

Os cidadãos denunciaram que, na madrugada desta Quartafeira, um agente da Polícia Nacional, aproveitando-se da situação, tentou roubar materiais de construção, facto já reportado ao Comando Municipal, segundo explicaram. Bernardo Chilepo, um dos desalojados, explicou que o agente chegou a reboque de uma moto de três rodas, conhecidas por “kaleluya”, para carregar chapas e blocos. Uma fonte da PN confirmou a este jornal que o cidadão suspeito é oficial da corporação

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