Elevado número de sobas preocupa governo do Cuanza Sul

São cerca de 4 mil e 25 sobas. Este número preocupa as autoridades governamentais ao nível da província do Cuanza Sul e, por essa razão, brevemente estará em curso um trabalho de recadastramento, cujo objectivo é o de passar-se a contar apenas com sobas de linhagem familiar

informação foi avançada em exclusivo a OPAÍS, pelo director do Gabinete de Cultura, Turismo, Juventude e Desportos do Cuanza Sul, Agostinho Casseça, à margem do recém realizado Festival Internacional de Música “Festi- Sumbe”, na cidade do Sumbe. De acordo com o responsável, a cifra de cerca de 4 mil e 25 sobas é bastante elevada, e, por essa razão, brevemente, o seu pelouro em conjunto com a associação que rege as autoridades tradicionais, levarão a cabo um trabalho de recadastramento dos sobas.

O objectivo deste trabalho resulta entre outros, do III encontro nacional das autoridades tradicionais realizado entre os dias 18 e 19 de Junho, pelo Ministério da Cultura em Luanda, em que chegou-se à conclusão que deverá passar-se a contar apenas com os sobas da linhagem familiar. Outro ponto assente, também manifestado no encontro, é que as mesmas autoridades tradicionais deixem de usar as habituais fardas, e passem a usar a vestimenta tradicional ligadas aos seus ancestrais, tal como era no passado. “Acreditamos que este será o caminho, é muita autoridade tradicional.

Estamos à espera do alerta do ministério da tutela para que comecemos a fazer este trabalho, que vai tão simplesmente ordenar e ajudar o trabalho que os sobas vêm fazendo ao nível das comunidades”, apontou. De salientar que o soba é uma autoridade tradicional responsável pela organização da comunidade, pela resolução dos seus problemas, desempenhando o papel de juiz e de ligação às autoridades governamentais.

Igrejas

Além do número de sobas, as igrejas são outro fenómeno que continua a crescer ao nível do Cuanza Sul, sendo que algumas delas funcionam à margem da lei e os locais de culto a serem construídos em zonas muitas delas de risco. Nesta altura em fase de legalização aguardam 94 denominações religiosas e apenas 35 são legais. “A força da lei tem de fazer- se sentir, porque existem igrejas com alguma renitência mesmo não estando legalizadas continuam a cultuar, a edificar imóveis em locais não adequados, colocando os fiéis em perigo”, alertou.

Teatro

A falta de salas convencionais para exibição de teatro um pouco por toda a província é a manifesta preocupação dos fazedores desta arte no Cuanza Sul. Entretanto, há um esforço, segundo Casseça, de que sejam construídos espaços multiusos para esta prática. Apesar deste imbróglio, o número de grupos teatrais continua a crescer, o que satisfaz, pois já foi criada uma associação provincial a funcionar em pleno, com núcleos municipais, que realiza um festival local e tem estado a levar em curso várias formações. “Estamos com cerca de, se tanto, 80 grupos teatrais.

A falta de espaço à semelhança de outras manifestações têm sido as salas, devo dizer que há alguma evolução, fruto do empenho e da solidariedade institucional, das administrações municipais”, salientou. Recorde-se que a província do Cuanza Sul comemorou a 15 de Setembro 102 anos da sua fundação, em 1917. Naquela altura o território era integrado por 12 municípios, designadamente, Amboim, Cassongue, Conda, Ebo, Quibala, Quilenda, Libolo, Mussende, Porto Amboim, Sumbe, Seles e Cela.

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