Pacientes do Kuvango impedidos de fazerem exame de raio X por falta de energia

96 milhões de Kwanzas é o montante em que está orçado a dívida que a repartição municipal da Saúde do Kavungo tem com trabalhadores eventuais que asseguram o normal funcionamento das suas 28 unidades sanitárias

Por:João Katombela, na Huíla

Os pacientes que acorrem ao Hospital Municipal do Kuvango, a 316 Quilómetros da cidade do Lubango, capital da Província da Huíla, estão impossibilitados de realizar exames de raio X por a instituição não estar a beneficiar de um sistema de energia electrica público com capacidade para o seu funcionamento, revelou, a OPAÍS, o director local da Saúde, Cláudio Maria. Para agudizar ainda mais a situação, a fonte de energia alternativa, o gerador, também apresenta a mesma incapacidade, pelo que, a direcção do hospital aventa a possibilidade de o equipamento deteriorar- se, em função do tempo em que se encontra inoperante.

De modo a ressaltar a importância desse equipamento, Cláudio Maria explicou que têm sido registados muitos acidentes de viação na sua área de jurisdição, no entanto, sem adiantar o número diário de casos. Quando se deparam com pacientes que necessitam desse tipo de exame, vêm-se obrigados a transferi-los para os hospitais municipais da Matala ou o Central do Lubango, o que tem causado muitos embaraços, tendo em conta a localização geográfica do município. “Este Hospital Municipal funciona com muitas dificuldades. Não temos um bloco operatório”, frisou. Instalado em 2012, desde a sua inauguração pelo então governador provincial da Huíla, Isaac Francisco Maria dos Anjos, o equipamento nunca entrou em funcionamento.

Por outro lado, Cláudio Maria revelou que o assunto já é do domínio da ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, e do governador provincial da Huíla, Luís da Fonseca Nunes, que garantiram para breve a resolução do problema.

Kuvango carece de mais enfermeiros e médicos

A rede sanitária no município do Kuvango é composta por 28 unidades, entre as quais um hospital municipal, assistida por 145 trabalhadores, entre os quais, enfermeiros, médicos e administrativos. Dos 145 trabalhadores,segundo o director municipal da Saúde, 65 foram contratados a termo certo (eventuais) que asseguram os serviços de assistência primária na municipalidade.

O Hospital Municipal do Kuvango foi concebido para funcionar com cerca de 450 trabalhadores, todavia, actualmente trabalha com uma quantidade de trabalhadores muito abaixo do esperado. “Numa primeira fase, precisaríamos, no mínimo, de 350 enfermeiros, porque, dos 150 funcionários, só temos 35 enfermeiros, que respondem para as 28 unidades sanitárias do município. Temos apenas seis médicos, dos quais dois encontram-se a fazer formação especializada”, avançou. Uma outra preocupação manifestada pelo director municipal da Saúde no Kuvango é a falta de pagamentos aos eventuais. Cláudio Maria informou que a dívida com os trabalhadores eventuais está estimada em 96 milhões de Kwanzas.

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