Ancião acusa MINCULT de negligenciar línguas nacionais

Gaspar Junqueira, ancião de 73 anos, é nativo de Icolo e Bengo, província de Luanda. Preocupado com a pouca atenção que se tem dado às línguas nacionais, o ancião acusa o Ministério da Cultura e clama do Executivo mudanças no “péssimo” estatuto que esta localidade assume

gaspar Junqueira afirmou, recentemente, em exclusivo a OPAÍS que as línguas nacionais estão a ser banidas e acusa o Ministério da Cultura, de não traçar políticas convincentes para inverter o quadro.

O ancião referiu que não existe espírito de conservação destas línguas, no verdadeiro sentido, por parte deste órgão do Estado. “Se o Ministério da Cultura determinar que a língua ‘X’ terá de ser ensinada nas escolas, naturalmente, essa língua não ficará banida. Nós, os mais velhos, temos o direito e a obrigação de fazer sentir”, disse admitindo que certas entidades deviam ser chamadas à responsabilidade por tão inesperado erro. “ Se alguém disser que o problema está com a juventude eu lançome contra ele”, desabafou o ancião. Gaspar Junqueira, comparou a juventude a um bebé recém-nascido, uma vez que, no seu entender, uma criança cresce a ser instruída pelos pais. Disponível a ensinar Kimbundu Não obstante os factores já referenciados, Gaspar Junqueira disse ter-se colocado à disposição para leccionar kimbundu aos jovens do Icolo e Bengo, na sede do partido MPLA e na Igreja Pentecostal, à qual pertence. Os jovens, segundo o ancião, aceitaram e mais tarde ausentaram- se das aulas por motivos injustificados.

Apesar disso, “Ti Junqueira”, como é carinhosamente tratado, ainda predispõe-se a ensinar a língua que domina. Motivado pela entrevista do ancião, o director do Centro Cutural Agostinho Neto, Francisco Makiesse, manifestou o interesse em dar formações em kimbundu, juntamente com Junqueira. Icolo e Bengo lembrado apenas em Setembro No âmbito das festividades do Dia do Herói Nacional, Gaspar Junqueira disse que o município de Icolo e Bengo não devia apenas lembrado em Setembro, uma vez que é uma Culsão histórico-cultural. No seu entender, o Executivo devia dar mais atenção a esta localidade por ser histórica e não só, e também por ter nele nascido Agostinho Neto, Primeiro Presidente de Angola, e vários outros heróis nacionais que lutaram para a libertação de Angola.

Gaspar Junqueira exigiu, igualmente, um núcleo de universidades em Icolo e Bengo, visto que, depois dos jovens terminarem o ensino médio, não conseguem dar sequência à formação. “Temo-nos sentido aflitos sobretudo no que diz respeito à formação dos nossos filhos. No Icolo e Bengo não há universidade. Só em Luanda, e Luanda fica distante” O ancião sublinhou que os custos de formação de qualquer jovem ido do Icolo e Bengo, em Luanda, não têm sido fáceis de suportar.

 

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