Carta do leitor:Trânsito e a lata

Por:João António Saraiva, Luanda

Caro director do jornal oPAÍS, Há aquilo a que chamamos normalmente de grande lata. E os angolanos têm, alguns deles, uma grande lata, de facto. Há dias, ia passando pela estrada que vai do Projecto Nova vida ao Futungo, vi coisas que, realmente, ou anda tudo maluco, ou anda tudo com muitas latas sobressalentes. Nos chamados contornos, ou pontos de inversão do sentido da marcha, mesmo tendo sido construídas as faixas de saída, as pessoas preferem juntar três ou quatro fi las, ocupando as outras faixas de rodagem e criando engarrafamento. Alguém pensa que são miúdos ou pessoas aparentemente pobres, mal educadas, mal instruídas e se calhar sem carta de condução a fazer isso? Puro engano. grandes máquinas, com senhores cheios de fato de gravata. Na mesma via vi outra coisa que não se faz: um carro avariou, o motorista e o seu acompanhante desceram, colocaram uns lixos para parecer um triângulo e puseram-se a tentar consertar o carro, aí mesmo, no meio da estrada. E mais adiante havia um polícia, que fi ngia não ver. ou, pode ser, também não sabia que aquilo era uma infracção grave. olho para estas pessoas, tanto os dos fatos que não páram nas passadeiras, sobem passeios e fazem fi las nos retornos, como para os que imobilizam o carro na faixa da esquerda para o consertar, e tudo o que me ocorre é: “mas que grande lata!” porque eu não acredito que estas pessoas não têm consciência de que estão a fazer mal. Não posso.

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