Intercâmbio cultural junta fazedores de arte na Bienal de Luanda

Num único espaço estão presentes criadores de 16 países, que ilustram os seus potenciais artísticos nesta I edição do “Festival de Culturas” que decorre desde Quarta-feira, 18, no Museu Nacional de História Militar, em Luanda, no quadro da Bienal – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz

Por:Antónia Gonçalo

Esta ocorrência multidisciplinar que termina no Domingo, 22, além do país anfitrião (Angola), conta com a participação de Cabo Verde, Portugal, África do Sul, Ruanda, Itália, Bélgica, Mali, Brasil, Marrocos, Egipto, Quénia, Cuba e Namíbia, que apresentam nos seus stands quadros de pinturas, fotografias, peças artesanais, obras literárias e académicas, gastronomia e imagens de figuras emblemáticas.

Estão a ser igualmente visualizadas exposições, sessões de cinema, teatro, workshops com oficinas criativas, exibições de dança e música, envolvendo os vários artistas, cujo objectivo é de criar um espaço de intercâmbio entre expressões artísticas e culturais, que contribuam para a promoção dos valores africanos de paz

. No palco montado para o evento, vários músicos dos países convidados entram em cena para mostrar as suas valências neste festival que tem como finalidade ilustrar o potencial turístico africano, em prol de uma cultura de paz. Além destes, os artistas locais como o Eduardo Paim, Pérola, Matias Damásio e Gari Sinedima fizeram às honras de casa. Gari Sinedima com a sua equipa apresentou músicas africanas, comdestaque para a do jamaicano Bob Marley, “One love”, que apela para o amor e a unidade entre os povos.

O músico referiu que, “Olhando para a temática da Bienal, que é a paz, seleccionamos temas muito ligados ao assunto. As nossas músicas foram essencialmente músicas a olhar para a África, um continente unido, que se coloca no lugar do outro para resolvermos os nossos problemas mediante a cultura”. A dança não está alheia a este evento. Foram vários os grupos que se apresentam, com ritmos variados.

Entre eles, o grupo Balet Tradicional Kilandukilu, com as suas vestes tipicamente africanas, mostraram uma dança guerreirada província do Cunene, que retratava a luta entre dois reis pelo trono. Mesmo fora do palco, o público presente, tanto o namibiano, sulafricanos, português, brasileiro e marroquino vibravam ao som dos vários ritmos africanos dançantes. A conhecida “Dança da família”, foi também dominada por eles com muita euforia

Exposição

O Pavilhão de Angola está composto por seis estruturas de madeira, que ilustram breves cronologias de eventos políticos no país, assim como os símbolos culturais nacionais, com o tema “Angola cultura de paz, olhando para o futuro”. Neste trabalho desenvolvido pela Cipro Grupo, destacam-se António Agostinho Neto, médico, escritor e politico; Mendes de Carvalho (Uanhenga Xitu) também escritor, enfermeiro e nacionalista, e Deolinda Rodrigues igualmente escritora, poetisa e co-fundadora da Organização da Mulher Angolana (OMA).

Além das figuras emblemáticas vêem-se rostos de jovens promissores, como da arquitecta, escritora e académica Ângela Mingas, o artista plástico Nástio Mosquito e o produtor de cinema e realizador de televisão Nguxi dos Santos. A responsável do projecto, Tchissola Mosquito, disse que com a ilustração pretende-se mostrar aos visitantes as várias etapas vividas pelo país, desde às figuras que lutaram para a independência do país e os novos contribuintes. “Hoje temos uma nova geração que também faz coisas muito boas, que levam o nome do país alémfronteiras. Por isso pegamos nisto para contar uma história, a do nosso país”, argumentou.

Outros espaços

A “Tenda das letras” que integra o Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INIC) e a União dos Escritores Angolanos (UEA) tem expostas várias obras de autores angolanos, entre eles livros infantis, com o objectivo de incentivar e cultivar o hábito e o gosto pela leitura. A Associação Provincial dos Artesãos de Luanda expõe roupas africanas, peças artesanais, desde jóias e certarias produzidas pelos artistas desta corporação. Landu Job, secretário-geral da associação, enalteceu a participação dos artistas dos outros países, por considerar relevante para a troca de experiência. “É bem-vindo este evento, tendo em conta que é a cultura de paz. Por isso estamos aqui a apresentar a nossa cultura, com paz, alegria e harmonia”, enfatizou.

As embaixadas

No stand da Itália é visível a imagem que retrata os vários aspectos políticos, sociais e culturais, como a história das relações com Angola, de turistas angolanos, programas arrolados com o continente “berço da humanidade” e imagens de cidadãos africanos que se tornaram famosos neste país com o seu trabalho. Com estas ilustrações, o embaixador de Itália em Angola, Cláudio Miscia disse que pretendem mostrar que a Itália é um país acolhedor para os africanos. A título de exemplo, mencionou o cantor Alessandro Mahmoud, o futebolista Mario Balotelli e Cécile Kambove uma médica e política nascida na República Democrática do Congo com êxitos no seu estado.

“Cada imagem tem uma história diferente. Esses cidadãos têm origem africana e fazem sucesso no nosso país. Mostramos aqui aos presentes um fl ash dessas ocorrências”, disse o diplomata. Já no stand da embaixada de Cabo- Verde, a cena é diferente. Artis-tas deste país trouxeram para o festival peças artesanais, jogos electrónicos e quadros fotográfi cos. Evandro Ribeiro, director criativo da empresa Bonako, que se ocupa da criação de soluções digitais e aplicativos, pretende trocar contactos para possíveis parcerias. Marrocos também presente, no seu espaço ilustra uma vila montada, com diferentes facetas da civilização do seu Estado. Trata-se de um Reino voltado para o futuro, mas que se apega às suas raízes, em particular, a africana.

Gastronomia

A moçambicana Nilsa Dahia trouxe para o festival vários quitutes da sua terra natal, como a Matapa (quizaca feita com moamba e leite coco), mengueleka, preparado do mesmo modo, acompanhado com xima (funge de milho). Ela mostrou-se expectante quanto a realização do festival, pelo facto de permitir uma mescla cultural. “Vamos conhecer novas pessoas, e conhecer mais deles e eles de nós. É maravilhoso poder ver essa diversidade, essa união entre os povos”, disse.

Encerramento O evento termina amanhã, com a realização de várias actividades. O destaque recai para o concerto na Baía de Luanda, com a participação de mais de 30 artistas, entre eles Filipe Mukenga, Bessa Teixeira, Justino Handanga, Paulo Flores e Bambila. O concerto que começa às 15 horas conta ainda com as actuações da cantora Bruna Tatiana, Ary, Ana Joyce, Yannic Afroman, Gerilson Insrael, Halison Paixão e do quinteto de humor Tuneza.

 

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