Materiais obtidos pelo The intercept mostram plano ‘paranóico’ de Bolsonaro na Amazónia

Federal deputy Jair Bolsonaro of the Party for Socialism and Liberation (PSL), a pre-candidate for Brazil's presidential election, attends a debate at the Industry Confederation event in Brasilia, Brazil July 4, 2018. REUTERS/Adriano Machado

Bolsonaro estaria a planear povoar a Amazónia contra chineses, oNgs e igreja Católica

O governo de Bolsonaro estaria a elaborar um plano de ocupação e desenvolvimento da Amazónia desde a ditadura militar. O projecto Barão de Rio Branco retoma o antigo desejo militar de povoar a Amazónia, sob o pretexto de desenvolver a região e proteger a fronteira norte do país. Documentos, obtidos pelo jornal The Intercept, detalham o plano que incentivaria os grandes empreendimentos a atrair a população  brasileira a povoar a região amazónica para elevar a participação da região norte no PIB do país.

Contrariando os pronunciamentos realizados em rede nacional por Bolsonaro, os documentos mostram que os planos do presidente são explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes para a Amazónia. O plano foi apresentado pelo coronel reformado Raimundo César Calderaro, coordenador de Bolsonaro, em reuniões fechadas com políticos e empresários locais. Parte do conteúdo desta reunião foi revelada pelo portal Open Democracy. A secretaria teria afirmado ter reunido a sociedade, academia e autoridades locais para receber opiniões e sugestões para dar sequência ao projecto, entretanto deixou de fora os indígenas, quilombolas e ambientalistas.

O governo Bolsonaro estaria a visar as “riquezas” da Amazónia, como os minérios, o potencial hidroeléctrico e as terras cultiváveis do planalto da Guiana. Além disso, há planos para a construção de uma hidro-eléctrica e uma rodovia, e explorar as regiões de savanas. Vale destacar que outros projetos semelhantes foram abandonados devido ao impacto sócio-ambiental em comunidades indígenas e quilombolas, onde inclusive há o registo de tribos isoladas. Entretanto, o governo Bolsonaro ignora a questão sócio-ambiental e estaria determinado a seguir em frente com o projecto, “custe o que custar”.

Em áudios gravados durante a reunião fechada, o governo Bolsonaro cita que o Brasil precisa proteger as suas fronteiras, principalmente com o Suriname, país que recebe investimento e imigrantes chineses. Já que eles acreditam que a China poderia fazer o mesmo n uma região pouco habitada do Brasil, o que facilitaria uma suposta invasão chinesa. Entretanto, Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirmou que a China não tem uma política de imigração e que, na verdade, está atraindo de volta os seus cidadãos capacitados que vivem no Ocidente.

Os militares acreditam que a única forma de proteger o Brasil é desenvolver a região amazónica a qualquer custo, pois almejam elevar a renda do PIB do Brasil. A realidade aponta para que o projecto “causará impactos destrutivos e irreversíveis” para a região, para os povos indígenas e para os recursos naturais. O governo Bolsonaro vem tentando aprovar o projecto desde Janeiro, mas até agora não conseguiu, entretanto o assunto segue secretamente em pauta. Por coincidência, a Amazónia está a sofrer a sua maior crise e desmatamento após incêndios que podem ter sido causados por apoiantes de Bolsonaro e do seu projecto Rio Branco, escreve o The Intercept.

Inclusive, a crise da Amazónia está a favorecer o seu projeto de interesses na região, onde uma exploração e expansão estão nos seus planos. Ou seja, Bolsonaro e o seu “exército” vêem a crise da Amazónia como uma grande oportunidade para seguir com o projecto. Tanto é que a Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos admitiu que o governo deverá criar um Grupo de Trabalho Inter-ministerial para discutir o projecto, expondo ainda mais a real intenção do governo Bolsonaro.

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