Criadores no Cunene abatem gado pelo agudizar da seca

O agravamento da seca na província do Cunene está a forçar os criadores e pastores a abater o gado, para evitar que este morra de sede e de fome por falta de pasto e água para o abeberamento.

A Segundo a Angop, citando autoridades tradicionais locais, numa altura em que o fenómeno já causou a morte de 30 mil animais, entre bovino, caprino e suíno, a situação tende a agravar- se diariamente. Em declarações à Angop, a soba da povoação do Chiúlo, município do Ombadjia, Albertina Maria da Conceição, disse que o abate, pelos proprietários, incide sobre o gado mais fragilizado. “(….) O povo está a perder o seu maior potencial económico que é o gado, precisa de ajuda alimentar e não alimentar, assim como clama por maior urgência na abertura de furos de água” – explicou.

Por sua vez, o soba José Luís Kavetuole, da povoação da Uia, município da Cahama, afirmou que, para evitar prejuízos maiores, muitos criadores estão a levar o seu gado ao município da Chibia, na província da Huíla. Acrescentou que outros pastores têm percorrido longas distâncias (mais de 200 quilométros) em direcção ao Chongoroi (Benguela) e Bibala (Namibe), provocando o desgaste físico destes e dos próprios animais.

Por essa razão, as autoridades tradicionais pedem ao Executivo para intensificar a distribuição do feno, do sal e da água, bem como para materializar a intenção de transferir o gado frágil para o processo de engorda. A propósito do assunto, o vice- governador do Cunene para os Serviços Técnicos e Infra- estruturas, Édio Gentil José, lamentou a situação, pelo facto de o gado ser um símbolo de honra para os momentos de festas tradicionais.

Para atenuar os efeitos da seca, O Governo do Cunene disponibilizou 20 camiões cisternas de 20 mil litros, 20 tractores com pipas de água atreladas e 400 reservatórios, colocados em pontos estratégicos das 20 comunas locais. Está igualmente a reabilitar 171 furos de água em todos os municípios e a adquir bens diversos, com base nos 3.9 mil milhões de kwanzas disponibilizados, no âmbito do “plano de emergência de combate à seca e à fome”.

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