Escalada das tensões políticas em debate da Assembleia Geral da ONU

A avalanche de tensões entre Irão, Estados Unidos e Arábia Saudita estará no centro das atenções, embora o clima e o ambiente sejam também temas estrela deste ano

As ameaças no Golfo Pérsico e na Faixa de Gaza e as crises na Síria, Iémen e Venezuela são os maiores desafios em discussão nas Nações Unidas, na Assembleia- Geral em que se reúnem, a partir de Terça-feira, em Nova Iorque, os 193 Estados-membros.

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, disse na semana passada que se está a assistir a uma escalada de tensões muito perigosa no Golfo Pérsico, tendo o Irão e Arábia Saudita como principais potências da região, e os Estados Unidos, como uma superpotência que ora diz estar pronta a atacar Teerão, ora se diz aberta a negociar directamente a cúpula dirigente da República Islâmica. A França tenta intermediar conversações pacíficas entre os presidentes Donald Trump e Hassan Rouhani. Os ataques a refinarias de petróleo da Arábia Saudita, a 14 de Setembro, que levaram o Presidente Donald Trump a dizer que os EUA estavam “prontos a disparar” contra o Irão, para logo a seguir recuar, foram o sobressalto mais recente. Esta crise permanente, de múltiplos sobressaltos, deverá ser um dos pontos quentes do debate entre os vários Estados- membros da ONU, principalmente os que têm interesses económicos no Médio Oriente e nos países produtores de petróleo.

A 18 de Setembro, a ONU anunciou a viagem de uma equipa de peritos à Arábia Saudita para conduzir um inquérito internacional sobre os ataques contra instalações petrolíferas sauditas. O Presidente norte-americano, Donald Trump anunciou na Sexta-feira novas sanções contra o sistema bancário iraniano, assegurando tratar-se das “mais severas jamais impostas a um país”.

O Irão está no foco dos debates sobre a paz e segurança no mundo, devido à sua política nuclear, e em especial depois de os EUA terem rompido o acordo internacional assinado durante a Administração Barack Obama. Teerão é um dos focos de uma feroz disputa pela hegemonia regional no Médio Oriente, em que o outro protagonista é a Arábia Saudita.

Os conflitos no Iémen e na Síria, que se prolongam há vários anos, deverão ser entre os mais abordados, depois de a ONU ter dito, com vários relatórios, que a crise humanitária no Iémen, país que vive em guerra desde 2014, é a pior da actualidade e poderá ser a pior do século. Os rebeldes iemenitas anunciaram na Sexta-feira uma trégua nos ataques à Arábia Saudita, exigindo em contrapartida que cessem os ataques sauditas no Iémen.

O Governo sírio, a Oposição e as Nações Unidas chegaram a um acordo sobre a composição de um comité constitucional encarregado de estabelecer uma nova Constituição para a Síria, foi anunciado na Quinta-feira.

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