Finalistas de cursos técnicos na Cameia sem aulas práticas

O responsável do sector esperava que, ao terminarem o curso, os estudantes dominassem as componentes práticas na especialidade de electricidade, mas, volvidos quatro anos, ainda não deram entrada num laboratório ou oficina

O director da Educação do município de Lumege-Cameia, na província do Moxico, Joaquim Jaime Chimixi, está preocupado pelo facto de o Instituto Médio Politécnico, instalado há três anos na sua área jurisdição, até agora, não ter laboratórios, nem oficinas para a realização de aulas práticas. “Desse jeito, dificilmente os estudantes poderão sair da escola com as valências técnicas e profissionais requeridas para o curso de electricidade que frequentam.

E isso poderá acarretar para os jovens algumas frustrações, devido à expectativa que criaram ao entrarem para essa escola do ensino médio” Segundo o director, quando lhes deram a conhecer sobre o projecto de construção da referida instituição do ensino médio, foi-lhes apresentada a intenção de fomentar o emprego local, através do empreendedorismo, ao mesmo tempo que se anunciou a ideia de redução do índice de pobreza.

“Mas eu sei que o grande objectivo era evitar que os jovens cujas aspirações tendessem para a área das engenharias fossem procurar esses serviços fora do município e, até aí, estamos todos bem”, replicou o responsável da Educação,

tendo reiterado que lhe preocupa bastante a qualidade de técnicos que se estão a formar sem agregação prática. Apesar de não as ter descriminado, Jaime Chimixi sabe que existem cadeiras que não estão a ser leccionadas, por causa das razões que avançou. Ainda assim, tem aconselhado que os professores da escola em causa procurem recursos correspondentes, enquanto se espera pela instalação dos laboratórios no instituto.

“Já se fez muito pedido aos órgãos superiores e a resposta é sempre a mesma: “esperar”, detalhou, tendo revelado que os seus reiterados clamores já são do domínio da actual ministra da Educação. Em seguida, ironizou dizendo que continuarão a aguardar, “porque, se calhar, o material está a caminho ou já deve ter chegado à província de Benguela, de onde espera vir ao Moxico, por via da rede ferroviária. Jaime Chimixi, asseverou que não acredita que os primeiros finalistas a saírem do instituto ainda tenham a sorte de recuperar a componente técnica, pelo facto de só faltar mês e meio para terminar o ano escolar. “Aos jovens costumo a aconselhar que, depois de terminarem, procurem trabalhar com um electricista ou numa empresa do ramo, de modo a preencherem as lacunas deixadas pela escola.

Questionado se o sector que dirige não tinha alguma culpa no destino contrário às expectativas dos estudantes, Jaime Chimixi, desabafou dizendo que, se tivesse dependido de si, o curso só arrancaria depois que todas as condições estivessem criadas

Município sem alternativas na área

Embora tenha manifestado a vontade de ver os jovens trabalharem no ramo, ainda que em micro- empresas do município- sede, o entrevistado sabe que essa busca será inglória em Cameia, pois, segundo apurou OPAÍS, de alguns habitantes, a localidade não possui oficinas, serralharias, nem secções de electricidade.

Para minimizar a situação do desemprego na municipalidade, o director da Educação gostaria de ver construída, na zona, um magistério primário, que, segundo ele, daria mais jeito aos jovens optarem para as ciências da educação, por sina, o sector que costuma a ter um concurso público mais regular. No município de Lumege- Cameia, existem 20 escolas estatais, 16 das quais são do ensino primário. “Há dois colégios, ou seja escolas com classes entre a 7ª e 9ª e da 10 a 12ª classe, além de um Liceu, ainda popularmente conhecido como PUNIV”, referiu.

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