Problemas de ordem organizativa confinaram participação de expositores no Festival de Culturas

Não obstante o certame ter permitido a troca de experiências entre diferentes culturas, alguns expositores, na sua maioria pintores, artesãos e criadores têxteis, lamentaram a forma brusca como foram convidados para o certame, assim como a desordem no acto de credenciamento

Cinco dias marcaram a I Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, evento que reuniu no mesmo espaço elites africanas, representantes da sociedade civil, autoridades tradicionais e religiosas, intelectuais, artistas e desportistas.

Não obstante o cenário típico criado em redor do Museu Nacional de História Militar, espaço que albergou o Festival de Culturas, alguns expositores, sobretudo angolanos, das artes plásticas, têxteis, entre outras, lamentaram a forma brusca como foram convidados para o tão esperado certame. Primeiro, pela fraca divulgação do evento, segundo, pela comunicação tardia aos expositores, assim como a forma desordenada do seu credenciamento, o que, segundo eles, lhes criou imensas dificuldades no acesso ao interior do museu, quando pretendiam introduzir os seus artigos.

É o caso de Fá Marlene, da Atifa, atelier que se fez representar com um conjunto de artigos, desde roupas típicas africanas, ímanes representando a Rainha Jinga a Mbande, a Bandeira da República, o Flamingo e a Baía Farta de Benguela, a cestaria e tantas outras criações. “Devo dizer que, apesar de ser a I Bienal do género a realizar-se em Luanda, correu muito bem, não obstante se terem registado algumas anomalias de ordem organizativa”, precisou o expositor.

Apreensivo, o jovem artista disse que esperava ver mais cores ao redor do Museu, espaço acolhedor do evento, o que, no seu entender, deveriam ser preenchidos por várias telas, artesanato e roupas típicas africanas. “Tivemos um convite muito brusco, feito a pressas e por cima da hora, e tudo ocorreu numa altura em que os ocuparam inicialmente os stands não compareceram. Tivemos que cobrir”, disse o artista, adiantando que muitos criadores, assim como o público, não se fizeram presentes por não se terem apercebido que a entrada fosse livre.

Pensaram que tal possibilidade ocorreria apenas no acto de encerramento do festival. “Somos um núcleo e assim decidimos incluir também os outros indivíduos para completar os espaços vazios”. Ao Festival de Culturas, juntou-se também Carla Peairo, vinda da cidade das Acácias Rubras (Benguela). A artista, representou-se no evento com o Sona, um desenho feito nas areias do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango, simbolizando o pássaro que ensina os homens a cultivar a paz, que também é símbolo da Bienal, que está intrinsecamente ligada a paz. Para Carla Peairo, foi um encontro agradável para uma primeira edição, que não foi tão fácil de organizar. Porém deveria incluir também as artes cénicas e mais artes plásticas, assim como projecções, uma vez que a Fortaleza tem uma estrutura fenomenal para projecções na parede.

O desenho de Sona é também uma tradição ideográfica conhecida em todo o Leste de Angola, no Noroeste da Zâmbia e nas áreas adjacentes da República Democrática do Congo, e é praticada principalmente pelo povo Chokwe e Luchazi. A Bienal de Luanda – Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz – teve como eixos principais, o Centro de Convenções de Talatona, o Museu Nacional de História Militar e espaços adjacentes, o Memorial Dr.

António Agostinho Neto e a Marginal de Luanda, e contou com a participação de 12 países das seis regiões do nosso continente: Norte de África, África Ocidental, África Oriental, África Central, África Austral e da Diáspora (Américas, Caribe, Europa Ocidental e Oriental, Médio Oriente e Ásia. Entre os participantes constam 600 convidados internacionais e mil angolanos, dos quais artistas, escritores, académicos, membros da sociedade civil, entre outros.

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