As perspectivas económicas da zona Euro

O Banco Central Europeu (BCE) realizou no dia 12 de Setembro, a sua penúltima reunião sobre a Presidência do italiano Mario Draghi, que deverá ser substituído no próximo mês de Outubro, pela francesa Christine Lagarde, após 10 anos na presidência de um dos principais bancos centrais do mundo.

A reunião culminou com a revisão em baixa das perspectivas de crescimento da economia para 2019 e 2020, para 1,1% e 1,2%, antes fi xadas em 1,2% e 1,4%, respectivamente. A revisão reflecte as expectativas dos analistas sobre as incertezas do desempenho da economia mundial, fundamentalmente, devido a manutenção das tensões comerciais entre os EUA e a China, associados às incertezas quanto à efectivação da saída do Reino Unido da União Europeia – com o cenário de uma saída sem acordo que se mantém ainda em aberto – o reduzido espaço fiscal de muitos países europeus para impulsionar a procura interna, têm penalizado as perspectivas de crescimento económico do bloco europeu.

Com efeito, o BCE decidiu alterar a taxa de juro directora de absorção de depósitos, de -0,4% para -0,5%, sendo que a taxa principal de refinanciamento e de facilidade de cedência de liquidez mantiveram-se em 0% e 0,25%, respectivamente. A decisão do BCE foi suportada pela necessidade de estimular o crédito à economia, por via da penalização de depósitos excedentários e criar condições para que a procura interna se expanda através da redução dos custos de obtenção de crédito junto ao sector bancário. Importa ressaltar, que a decisão foi seguida de uma advertência aos países membros, com espaço fiscal robusto, para accionarem as medidas orçamentais necessárias que suportem uma rápida recuperação da economia.

Paralelamente, o BCE retornou ao programa de compra de activos – Quantitative Easing – no montante mensal de 20 mil milhões EUR para um período indeterminado, a partir de 01 de Novembro. A decisão surge depois do BCE ter aplicado a medida entre os anos 2011 e 2018 e adquirido cerca de 2,1 bilhões EUR do sistema. O racional da medida, estava na necessidade de estimular o aumento dos níveis de preços e o investimento na economia.

A decisão encontra-se em linha com os receios dos países pertencentes ao bloco europeu da iminência de uma deflação dos preços, facto que poderá condicionar as perspectivas de investimento no bloco e impulsionar as expectativas de uma maior desaceleração da economia, proximamente. Por conseguinte, o BCE perspectiva com a reintrodução do programa de compra de activos, o retorno das taxas de crescimento dos preços na economia perto de 2% – A taxa target do bloco, onde a sua variação é previsível e estável -, o que deverá contribuir para o incentivo ao investimento real da economia e não penalizar o consumo das famílias.

A decisão impactou o desempenho dos mercados de modo positivo. Relativamente ao mercado accionista, o índice Stoxx 600 registou um incremento diário de 0,2% para 390,48 pontos, no dia 13 de Setembro, sendo que o mesmo desempenho foi apurado no índice bolsista Dow Jones (EUA) e FTSE 100 (Inglaterra) que ganharam 0,2% e 0,1%, ao fi xarem-se em 27.182,45 e 7.344,67 pontos, respectivamente. Por seu turno, a cotação do euro apreciou-se, com a taxa de câmbio a variar 0,55%, fixando- se em 1,1068 USD por unidade da moeda única europeia.

A decisão do BCE poderá ter refl exos sobre as perspectivas de crescimento da economia mundial. A Zona Euro, como bloco de 19 países, detém o segundo maior Produto Interno Bruto mundial (PIB), atrás dos EUA e acima da China. A evolução positiva da sua economia impulsiona as expectativas de crescimento dos seus principais parceiros comerciais – EUA, China, Japão -, o que por arrasto, contribui para o aumento do consumo de matérias- primas e crescimento das economias emergentes e exportadoras das commodities, onde se enquadra a economia angolana.

Assim sendo, e porque Angola tem na Zona Euro um grande mercado das suas importações, a perspectiva de manutenção de preços baixos dos bens poderá contribuir para a rápida estabilização dos níveis de preços e incrementar o nível de importação da região. Paralelamente, poderá aligeirar a depreciação cambial do Kwanza – com o novo regime cambial do BNA, o euro passou a ser a moeda de referência em detrimento do dólar -, e reduzir os níveis de exposição cambial face à carteira de dívida do país na moeda única europeia e nos contratos de importação de produtos e mercadorias.

error: Content is protected !!