Alto funcionário do departamento de Estados Unidos ausculta comunidade islâmica

O responsável, que vai manter encontros com as autoridades governamentais, está no país para avaliar a situação da Liberdade de Religião em angola

O chefe do Escritório de Liberdade de Religião Internacional para África do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, Gabriel Del Bosque, reuniu-se com os responsáveis da Comunidade Islâmica de Angola (COIA).

À saída do encontro, realizado na sede da COIA, o secretário-geral desta comunidade, David Alberto Já, disse à imprensa que se tratou de uma visita de cortesia, que serviu para avaliar o estado da religião islâmica em Angola.

Segundo o responsável, este foi o primeiro de muitos encontros que este alto funcionário do Departamento dos Estados Unidos vai manter com outras comunidades religiosas angolanas. Durante o encontro, Gabriel Del Bosque foi informado sobre os esforços que a COIA está a desenvolver para a sua legalização junto das autoridades angolanas, com base na nova Lei 12/019, sobre a Liberdade de Religião e Culto. Informou que a sua instituição está a trabalhar na recolha das 60 mil assinaturas exigidas por lei para legalizar esta religião junto do Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos(INAR), adstrito ao Ministério da Cultura (MINCULT).

David Já afirmou haver flexibilidade do actual Governo liderado pelo Presidente da República João Lourenço em relação à questão para a legalização da religião islâmica em Angola. “Há um pequeno diálogo e há mais abertura do que no Governo anterior”, reconheceu o responsável.

A Gabriel Del Bosques, os responsáveis reportaram também o encerramento de mais de 40 mesquitas na província da Lunda-Norte, pelo Governo, em finais do ano passado. David Já recordou que o encerramento das mesquitas nesta província do Leste do país privou os fiéis muçulmanos da festa do Ramadão, um dos principais pilares do islão.

Para desanuviar o clima de tensão entre as autoridades e os muçulmanos, alguns fiéis tiveram que deslocar-se à vizinha província da Lunda-Sul e outros transpuseram a fronteira indo para a República Democrática do Congo (RDC) para festejar o Ramadão.

Mesquitas encerradas

Presentemente, estão encerradas 46 mesquitas em toda a província da Lunda-Norte, apesar de Isa comunidade islâmica ter recebido garantias das autoridades locais para a sua reabertura, após conversações com o Governo local, segundo David Já.

As autoridades da Lunda-Norte alegaram haver ilegalidade no funcionamento das mesmas, ou seja, por a religião islâmica não estar reconhecida, e no dia 2 de Fevereiro do ano em curso ordenaram o encerramento de todas as mesquitas e igrejas ilegais na província, no quadro da Operação Resgate. “Dissemos-lhe não compreendermos a razão de encerrarem mesquitas numa província e deixar funcionar noutras”, afirmou, sublinhando que Angola é o único país africano que não reconhece a religião islâmica.

Luanda, que detém as maiores mesquitas do país, é a única província em cujos locais de culto os seguidores do Profeta Maomé rezam sem nenhum impedimento.

O único constrangimento denunciado pela fonte é o facto de, alegadamente, alguns funcionários do Serviço de Migração Estrangeiros (SME) entrarem às Sextas- feiras em algumas mesquitas para procurarem estrangeiros ilegais. Além de violarem o local de culto, David Já considera a atitude do SME como sendo uma violação aos direitos humanos, por isso defende outros mecanismos de autuação no que concerne ao combate à imigração ilegal.

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