Só alguns não chega

D iz o povo, e muito bem, que de grão a grão enche a galinha o papo. É necessário ter-se sempre noção disso, embora a saída de um grão de um monte de milhões não pareça fazer alguma diferença. Mas, tirando um a um sempre se pode levar o monte todo. Há um aspecto em que talvez o Presidente da República deva reparar na sua comunicação, e na sua acção, claro. Falo da questão da luta contra a corrupção. No Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos da América, em Nova Iorque, no seu discurso, e fazendo referência à luta contra a corrupção, o Presidente falou de altos funcionários do Estado que têm sido investigados, processados, julgados e condenados. É verdade, estão a ser levados a tribunal alguns intocáveis. Pois, alguns. Isto já lhe tem valido a acusação de estar a dirigir uma justiça selectiva, mas a minha preocupação é com outro tipo de “selecção”, eu acho que a luta contra a corrupção assumida pelo Presidente deve ser mais abrangente, desde o ministro ou ex-minitro ao polícia do pente, ao fi scal que extorque cantineiros, ao funcionário da conservatória que pede dinheiro por um serviço gratuito. O Presidente é de todos, a corrupção pequena é aos milhares e no total faz estragos enormes. E afasta também o investimento directo, quando se tem de pagar uma gasosa para se ter um documento simples. O Presidente já se tinha mostrado mais preocupado com a grande corrupção na sua última entrevista a jornalistas angolanos, mas nós, o povo, a nós dói também a corrupção do dia a dia, a dos mil kwanzas que fazem a diferença entre dar ou não o que comer aos fi lhos. Sim, se é para moralizar, o Presidente tem de atacar a todo o campo.

error: Content is protected !!