Fome no interior põe à prova Presidência de João Lourenço

Os dois anos de governação do Presidente João Lourenço estão a ser “assombrados” pela seca que se regista no interior de Angola, com as províncias do Cuando Cubango, Cunene, Moxico e Huíla a serem fustigadas por uma fome sem precedentes

Por: Constantino Eduardo em Benguela

O cenário da fome tende a afectar outras províncias, tal é o surgimento de alguns focos nas localidades da Yambala (Cubal), Kapilongo (Benguela), Dombe-Grande (Baía-Farta) todas na província de Benguela. Preocupadas com o quadro, as autoridades lançaram-se ao desafi o de combate, sensibilizando e mobilizando vários segmentos sociais que se desdobram em campanhas de recolha de bens de primeira necessidade para minimizar a carência da população, embora haja quem acredite que o Governo local devesse, nesse quesito, fazer mais do que tem feito. Cidadãos consideram a fome, sobretudo a que se regista nas províncias do Cuando Cubango, Moxico e Cunene, uma das muitas “heranças governativa” do antigo Presidente José Eduardo dos Santos para o seu sucessor João Lourenço, pondo, deste modo, à prova o actual inquilino do Palácio Presidencial à Cidade Alta.

O momento actual, na perspectiva do director executivo da Organização Humanitária Internacional(OHI), Messelo da Silva, é, deveras, preocupante. “São situações muito graves”,considera, para quem, embora reconheça que os problemas sejam legados do anterior consulado, o Governo de João Lourenço não tem sabido lidar com tal situação. “Isso não é um assunto novo, o que falta, seguramente, é o Governo ter um programa que aborde com maior profundidade as reais necessidades que estão identifi cadas junto da população”, esclarece. Messelo da Silva é de opinião que se defi na aquilo a que chama plano integrado, que inclua abordagens sobre nutrição, segurança alimentar e outros complementares, capazes de impulsionar um desenvolvimento sustentável e participativo a nível das regiões afectadas. Na perspectiva do activista social, as acções em curso engendradas pelo Governo Central são meramente paliativas e, em rigor, não vão responder aos problemas daquela população. “Assistimos ao descalabro muito forte daquilo que é a credibilidade das populações dessas províncias em relação ao que tem sido a atitude do Governo.

Deve-se encontrar mecanismos que possam permitir que a população benefi – cie de serviços mínimos: acesso à água potável, Saúde e outros serviços”, realça. A directora do Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade no Género afi rma que o Governo está apreensivo com a questão da fome, originada por uma seca sem precedentes, e aprovou a construção de furos de água em zonas afectadas, visando atenuar a carência dos “irmãos” no Cuando Cubango e Cunene. Por orientação do Governo Central, segundo Leonor Joaquim, e face ao cenário do interior de Angola, o seu gabinete sensibilizou empresários, membros da sociedade civil, entidades religiosas e políticos para procederem à doação de bens de primeira necessidade, facto que resultou na recolha de mais de 90 toneladas de produtos diversos.

Entretanto, esclareceu a responsável, a questão do Cuando Cubango e Cunene não leva a que o Governo se divorciasse das suas responsabilidades internas com os confrades do Kapilongo e/ou de outras localidades, como fizeram crer alguns sectores. Já o actual coordenador executivo da organização Omunga, João Malavindele, refere que o Presidente da República até aqui não demonstrou vontade política para resolver os problemas da fome nessas circunscrições territoriais. “Primeiro é que não é um compromisso do Estado”, assevera.

Para Malanvidele, não se admite, em pleno século XXI, que se registem situações dessa natureza, a julgar pela tecnologia existente e “técnicos formados e muitos deles subaproveitados. É momento de acabarmos com a situação da fome e seca no Sul, através de políticas de inclusão, e a sociedade civil seja ouvida neste processo”. Segundo João Malavindele, caso o quadro se mantenha, Angola verse- á obrigada a declarar o “estado de calamidade” e lembra que o Estado tem responsabilidade acrescidas  neste processo.

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