Lourenço, fique descansado!

Depois de um longo período de graça, João Lourenço começa a ser alvo de críticas, sobretudo da (antiga) classe média, que vê a sua condição social mais apertada. Alguns terão até descido de classe. Tenho dito desde o início que ao Presidente falta afinar o discurso social, ainda que as suas medidas noutros campos visem efeitos no bem-estar das pessoas. Há, claramente um ligeiro desequilíbrio. E as pessoas são sensíveis, reagem à impressão de que as suas dores estão ser ignoradas, ainda que não seja assim.

Lourenço tem de se lembrar que o voto da quitandeira vale o mesmo que o dos fazedores de opinião a seu favor e muito mais do que o do estrangeiro das organizações e governos que o elogiam. Estes, simplesmente, não votam em Angola.

Posto isto, e num país em plena crise económica e cambial e ainda a enfrentar uma seca severa, é líquido pensar-se que o Titular do Poder Executivo estivesse em maus lençóis políticos. Mas não é assim.

A Oposição, na sua maior representação parlamentar e a única que conta agora, a UNITA, foi passar dias no Sul e depois apresentou uma espécie de balanço à imprensa. Veio com números vagos, melhor, sem números, apenas com grandezas, dizendo que morrem centenas de cidadãos. Onde, quando, quem? Nada.

Sugere mais dinheiro no próximo OGE, para fazer exactamente o quê? Nada. Para mais furos? Para aplicação de soluções tecnológicas? Para reparar estradas? Quanto custaria? A nossa Oposição tem de passar a mostrar que trabalha com cérebros, que faz os deveres de casa, que tem soluções concretas para cada caso que critica. Até lá, diria o povo, Lourenço, faça o seu trabalho nos anos que lhe faltam de mandato, não há sombras ao lado.

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