Vítima de mina acalentada por Diana espera ver o principe Harry

Há poucas horas da visita do Príncipe Harry ao Huambo, o centro ortopédico que será baptizado com o nome de Princesa Diana apresenta nova imagem e dentre os beneficiários estão jovens que há 22 anos estiveram com princesa de Gales

Em 1982, com apenas cinco anos, Justina César (na foto) pisou numa mina que cortou a sua perna direita, quando acompanhava sua mãe à lavra. Aos 15 anos teve a oportunidade de conhecer Diana, a princesa de Gales, que chegou ao Huambo em 1997 para uma visita oficial.

Na altura, a estudar a 6ª classe, Justina fez parte do grupo de crianças, adolescentes e jovens que receberam Diana no aeroporto desta cidade, onde teve a oportunidade de falar e receber o cari nhos da princesa. Volvidas mais de duas décadas, deseja viver os mesmos momentos com o filho de Diana, o príncipe Harry, a quem pretende contar tudo o que viveu naquele momento.

Hoje, com 37 anos e mãe de três filhos, a estudante universitária do 2º ano do curso de engenharia informática mostra-se feliz com a possibilidade que teve de ser confortada pela mãe de Harry, que estará no planalto central. “Estou muito emocionada e do mesmo jeito que abracei a mãe, quero também ver e abraçar o filho”, disse, acrescentando que é sempre um alento para os deficientes vítimas de guerra receber o carinho de pessoas que contribuam para a sua condição de vida.

A mina que accionou levou-lhe toda parte da coxa e a prótese para a sua deficiência é uma das mais difíceis de se fazer. Neste momento se locomove com a ajuda de duas moletas, enquanto os técnicos trabalham na feitura da sua nova prótese.

Centro Ortopédico Diana

Foi depois da visita da princesa que Justina começou a receber cuidados e acompanhamento no Centro Ortopédico desta província, beneficiando regularmente de próteses e acompanhamento médico.

A ser gora rebaptizado com o nome de Centro Ortopédico “Princesa Diana” a instituição enfrentou até ao momento muitas dificuldades, desde a degradação das infra-estruturas, equipamentos, aos recursos humanos, antes de se começar o processo de reabilitação com o anúncio da vinda do príncipe Harry. Um dos que beneficiaram das melhorias é o pequeno Francisco Xavier, que tem amputada a perna esquerda após uma lesão à nascença por manobras mal feitas pelas parteiras. Da falta de água e energia eléctrica, a instituição foi contemplada com um PT com fornecimento regular de electricidade e água, ampliação de todos os compartimentos para receber pessoas, não apenas deficientes físicos.

Há 32 anos a fazer próteses

Joaquim Samahite é técnico do Centro Ortopédico desde 1987, altura em que se iniciou na feitura de próteses como técnico reparador, missão que realizou em outras partes da província. Já perdeu a noção de quantas próteses fez ao longo dos 32 anos, mas realça as melhorias registadas com a criação de condições no local de trabalho. Chega a fazer seis próteses mensalmente, depois de tirar as medidas e posterior acompanhamento aos amputados.

Mais de 60 próteses produzidas por mês

O Centro Ortopédico do Huambo funciona desde 1979 e está vocacionado não apenas no atendimento de deficientes físicos, como também na produção de próteses, muletas e outros meios de locomoção. Segundo o director-geral da instituição, Fernando Vicente, com a sua reabilitação, o centro tem capacidade para 25 internamentos por dia e atende uma média de 150 a 200 pacientes em sessões de fisioterapia, injecções e acompanhamento psicológico.

A reabilitação, que se encontra na sua fase final, vai permitir que até Dezembro sejam produzidas mais de 60 próteses, muletas e cadeiras de rodas. São, no total, 120 técnicos, entre médicos, ortopedistas, psicólogos e enfermeiros, a trabalhar na instituição, número considerado exíguo por Fenando Vicente, para responder à demanda de pacientes. “Nós não temos recursos humanos à altura para corresponder a todas as necessidades”, disse, acrescentando que o centro agora reabilitado está em condições de ser uma unidade com atendimento multidisciplinar.

Dos mais de 40 fisioterapeutas necessários, no centro existem apenas oito, o que tem criado imensas dificuldades aos utentes. Ainda assim, referiu que mil e 232 vítimas do conflito armado têm recebido acompanhamento regular desde 2002. Segundo o gestor, todas as unidades com esta especificidade a nível do mundo têm valências que são definidas pelos ministérios de tutela e, no caso do Huambo, espera que o Ministério da Saúde também o defina para adaptar-se à realidade dos recursos humanos de que dispõe.

Ainda assim, realça os ganhos que se está a conhecer na véspera da visita de Harry e afirma que “o Centro Ortopédico deixou de ser o beiral do Huambo”. O centro, que será baptizado com o nome de Princesa Diana, será o local em que acontecerá o acto central da visita do Príncipe Harry ao Huambo que vai reinaugurá-lo, hoje, agora com uma nova imagem.

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