Escritor Luís Kandjimbo defende dinamização da literatura ao nível da CPLP

A circulação das obras literárias ao nível da Comunidade Lusófona seria determinante para que não hajam barreiras noutros espaços, especialmente de língua oficial inglesa, segundo o escriba

O escritor angolano Luís Kandjimbo defendeu, esta Quinta-feira, em Luanda, a livre circulação das Obras Literárias a nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesas (CPLP), num esforço de se mitigar o fraco conhecimento sobre os trabalhos desenvolvidos pelos autores deste espaço.

Luís Kandjimbo, que falava à imprensa no âmbito do projecto Textualidades – Conversa Com Os Leitores, promovido pela direcção do Memorial António Agostinho Neto, apelou à dinamização desta intenção, de modo a que não haja barreiras noutros espaços, particularmente de língua oficial inglesa. O escritor admitiu existirem obstáculos, no que a cada país diz respeito, o que, no seu entender, revela a não existência da circulação da literatura, de outrem, nesses Estados. Na sua óptica, a CPLP deve ser um instrumento ou palco em que o escritor realiza o sonho de ter outros públicos à sua disposição para interagir.

O escritor

salientou que os laços históricos que ligam os países membros da Comunidade deviam servir de instrumento para intensificação da expansão das obras, reunindo os escritores para que o diálogo cultural entre os países falantes da mesma língua seja uma realidade. Realçou que a União dos Escritores Angolanos está a reactivar a Federação de Associações dos Escritores dos Países de Língua Portuguesa em África, para que possam dinamizar o diálogo com outros membros desta comunidade O escritor Luís Kandjimbo, pseudónimo literário de Luís Domingos Francisco, nasceu em Benguela, em 1960, onde fez os estudos primários e liceais. Nos finais da década de 70 exerceu jornalismo na Rádio Nacional de Angola.

No princípio da década de 80, dada a sua paixão pelas artes e letras, partiu para o Lubango, onde frequentou o primeiro ano na então Faculdade de Letras, que viria a ser extinta logo depois. Daí regressa para Luanda, onde estuda direito, a par de intensa actividade de publicista no Jornal de Angola. Publica neste matutino diversos ensaios, entre os quais se destacam “A literatura negro- africana e o seu espaço útil” e “A dimensão histórico-literária de Agostinho Neto”.

Data dessa época como investigador a colaboração com o Centro de Investigação Histórica de Angola, o actual Arquivo Histórico Nacional. Em 1987 publica o seu primeiro livro de ensaios “Apuros de vigília” e em 1998, o segundo, intitulado “Apologia de Kilitangi”. Publicou dois livros de poemas, sendo o primeiro dos quais “A Estrada da secura”, menção honrosa do Concurso Sonangol de Literatura. Tem igualmente publicado um livro de contos: “Os noctívagos e outras estórias de um benguelense”.

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