Executivo apela para maior promoção da língua gestual para permitir inclusão social

A linguagem gestual angolana foi uniformizada em Angola em 2003 e representa um instrumento legal das políticas públicas do Executivo, de modo a evitar as interferências de línguas de outros países

Por: Domingos Bento

O secretário de Estado para o Ensino Técnico Profissional, Jesus Baptista, defendeu ontem, em Luanda, a necessidade de uma maior promoção da linguagem gestual angolana, de forma a permitir uma justa inclusão social dos cidadãos deficientes auditivos na vida activa. Segundo o governante, que falava na conferência sobre linguagem gestual, organizada pela Escola Nacional de Administração de Políticas Públicas (ENAPP), em Angola, cerca de meio milhão de cidadãos, entre crianças, jovens e adultos, é surda.

Neste grupo populacional está concentrada a maior percentagem de pessoas analfabetas e com dificuldades para atingir uma integração e inserção social adequadas, sendo o género feminino o que apresenta maiores problemas. A barreira comunicativa causada pelo desconhecimento da língua gestual angolana, por parte da maioria da população, faz com que o relacionamento entre o grupo de pessoas com deficiência auditiva se veja limitado na relação com o resto da sociedade.

Conforme explicou, sempre foi preocupação do Exeutivo angolano assumir como uma medida de política pública, alinhada às agendas nacionais e internacionais, aprimorar os mecanismos de comunicação entre as pessoas com necessidades auditivas e a sociedade, de modo a optimizar o acesso ao ensino, rompendo assim as barreiras comunicativas. Neste contexto, frisou, em Outubro de 2003 o Executivo deu início ao processo de estudo, desenvolvimento e uniformização da língua gestual angolana para evitar as interferências das línguas de outros países. Com a criação desta uniformização, Jesus Baptista disse que os surdos de Cabinda ao Cunene começaram a ter uma língua de ensino uniforme e com professores formados.

Porém para que haja um maior acesso a essa língua, o responsável defende mais divulgação por parte de todos os segmentos da vida social angolana. “É evidentes que, sendo a língua gestual um facto em Angola, a comunicação com as pessoas surdas implica a presença do intérprete bilateral e da inserção destes profissionais nos estabelecimentos públicos e privados como hospitais, escolas, tribunais, esquadras de Polícia, serviços sociais e agências empregadoras”, frisou.

Ultrapassar barreiras

De acordo ainda com Jesus Baptista, para haver um intérprete de língua gestual nestes órgãos é necessário que os mesmos reconheçam a expressão gestual como uma das línguas nacionais. “Desta forma, estaremos a cumprir as orientações do Decreto Presidencial número 10/16 de 27 de Julho, que promulga a Lei das Acessibilidades e com acordos, compromissos e convênios internacionais dos quais Angola é signatária”, apontou.

error: Content is protected !!