Intolerância política preocupa UNITA e PRS no Moxico

Os casos de intolerância politica na província, quando não matam ferem, o que torna o processo democrático naquela parcela do país mais frágil, pelo que os partidos da Oposição defendem a adopção de medidas urgentes dos órgãos competentes

Domingos Bento
enviado ao Moxico

Os frequentes casos de intolerância política na província do Moxico estão a preocupar os partidos políticos da Oposição UNITA e PRS, que clamam pela intervenção dos órgãos de Estado de forma a punir os mentores desta prática.

De acordo com João Cueza, secretário provincial da UNITA naquela parcela do Leste do pais, os casos de intolerância política na província têm vindo a ganhar proporções alarmantes devido ao número de vítimas desta pratica que atenta contra a boa convivência entre os angolanos,

Conforme explicou, os casos de intolerância política na província, quando não matam ferem, o que torna o processo democrático mais frágil. Só este ano, João Cueza disse que mais de vinte pessoas foram gravemente feridas por elementos de partidos opostos por defenderem a sua posição.

O MPLA, frisou, apesar de estar na direcção do país, é o que mais promove casos de intolerância política, agredindo os militantes de outras formações políticas, beliscando assim a boa convivência entre os angolanos. “Não é possível que um partido no poder atente contra o outro que até nunca experimentou o poder.

E o MPLA tem sido o principal promotor da intolerância política a nível da nossa província, sobretudo nas localidade distantes”, denunciou, tendo acrescentado que “um dia que o MPLA estiver na oposição, como nós, o país terá uma regressão democrática, por não saberem viver em democracia”.

De acordo ainda com João Cueza, numa altura em que a província, sobretudo o Sul, é devastada por fome e miséria, o MPLA, por via dos seus administradores municipais, tem vindo a impedir que os partidos da Oposição e grupos da sociedade civil a reportem a situação para estimular ajudas internas, o que torna o cenário mais caótico ainda.

Por exemplo, o Sul da nossa província enfrenta uma grave situação de fome, com a morte de cidadãos nacionais que não têm o mínimo para sobreviver. Como é que vamos conseguir canalizar e pedir apoios para as populações mais vulneráveis se os próprios administradores criam barreiras de modos a nos silenciar? É muito difícil”, lamentou.

O país é de todos

Por seu lado, o secretário provincial do PRS, José Victor, disse que é preciso que o MPLA, partido no poder, respeite as diferenças partidárias quando se trata de questões que têm a ver com Angola.

Conforme explicou, há uma intenção grande do MPLA de “passar à limpo” questões preocupantes que atentam contra a vida das populações locais que carecem de um maior acompanhamento das autoridades. “O país é de todos e devemos ser todos nós a contribuir para o seu real desenvolvimento.

Mas acontece que no Moxico há um bloqueio para inviabilizar as acções de outras forças que não estão ligadas ao Executivo. É muito mau”, deplorou. De recordar que, recentemente, o Bispo da Diocese do Luena, Dom Tirso Jesus Blanco, pediu ao Executivo a adopção de medidas urgentes para travar a vaga de mortes por fome que o Sul do Moxico enfrenta nos últimos dias. Segundo o prelado, as populações do interior da província enfrentam sérias dificuldades sociais, com a carência de alimentos em grande escala que tem resultado na morte de dezenas de cidadãos por fome.

Dom Tirso Jesus Blanco disse que a situação está tão delicada que, inclusive, para sobreviver à fome, muitas pessoas estão a trocar uma cabeça de gado (boi) por um saco de farinha de mandioca. Diante do cenário caótico, o Bispo da Diocese do Luena sugere uma maior actuação e desempenho da comunicação social no relato desses factos, que, muitas vezes, “não têm merecido a devia atenção”.

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