A “descompetência”

As escolas de economia e gestão, afinal, têm um departamento que não é anunciado e para o qual são convidados secretamente apenas os aptos, é o que penso desde ontem. É o departamento da “descompetência”. Um departamento que forma gestores públicos angolanos para que tudo em que toquem dê errado. Ora vejamos, ontem, finalmente, no noticiário da Rádio Mais, ouvi o director do Kero-Nova Vida explicar de forma simples o IVA, aquilo que o povo precisava de saber. É assim: tudo o que pagamos até agora vem já com o imposto de consumo de dez por cento. Agora, este imposto desaparece e no seu lugar é posto o IVA, mas com catorze por cento. Na prática, os produtos vão custar mais quatro por cento. Ou seja, a entrada em vigor do IVA significa um incremento de quatro por cento na factura total actual. A nossa vida fica mais cara quatro por cento. Tanto técnico bem pago e nada, nunca conseguiram falar com simplicidade sobre o assunto. Devem ter passado pelo tal departamento da “descompetência”. Nem nos disseram que as empresas que não aderiram ao IVA continuam a cobrar o Imposto de Consumo. No Lubango, por causa da “descompetência”, entrou apenas ontem em vigor o sistema de transportes públicos por autocarros. Seis, para mais de setecentas mil pessoas. Nem Harry Potter consegue tal magia. Mas a crença na “descompetência” pública é tal que as autoridades locais resolveram deixá- la de fora e colocar privados no negócio. Talvez com receio de que a gestão pública dê para o torto. Mas onde está escrito que empresa do Estado tem que ser um desastre? Se não colocarem lá “descompetentes”, certamente que se gere como qualquer outra empresa. E, aliás, por exemplo, cidades como Lisboa, Porto, S. Paulo, Nova Iorque, e outras, têm mesmo empresas municipais, públicas, de transportes públicos. Ao menos esperassem pelas autarquias, em vez de se apressarem no negócio. Há promiscuidades na Huíla que começam a ser vergonhosas.

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