Administração do Quela vai aplicar 560 milhões de kwanzas para recuperar estradas

A administração projectou, também, a construção de escolas e centros de saúde, a ampliação do hospital municipal, e a feitura de outros serviços básicos de proximidade aos cidadãos

Por:Miguel José, em Malanje

O administrador municipal do Quela, Manuel Campo, disse a OPAÍS haver valor indicativo de 560 milhões de Kwanzas para a terraplanagem de 155 quilómetros de vias secundárias e terciárias que ligam a sede municipal às comunas da Missão dos Bângalas, Moma e distintos sectores. A verba foi atribuída à Administração Municipal do Quela (AMQ) no âmbito do Programa de Investimento Integrado nos Municípios (PIIM).

Manuel Campo sustenta que, de uma forma geral, a recuperação viária constitui a chave preliminar do relançamento da produção agrícola e da produção de diamantes, sendo estes os dois principais focos económicos do município que dirige. Apesar de a porção maior para o investimento do município recair para a recuperação das vias rodoviárias, em discussões preliminares, tanto com empresas que se candidataram, quanto com as que estão a fazer estudos e projectos, o valor parece insuficiente. Além de estradas, a Administração projectou, também, a construção de duas escolas, sendo uma de 12 salas para o I ciclo, na sede municipal, e uma outra de 7 salas na comuna de Xandel, cujo orçamento estima-se em cerca de 200 milhões de Kwanzas, sem o equipamento para o apetrechamento. Para o sector da Saúde, está prevista a construção de centros de saúde nas três comunas do município, o alargamento do Hospital Municipal do Quela (HMQ), contando com mais espaços para trabalho. Com o orçamento alocado ao município, prevê-se ainda a construção de 10 sistemas de água, serviços de limpeza e saneamento da sede, cujos valores não mencionou.

Concurso público

O administrador explicou que após a selecção das empresas, a apurar no concurso público, a primazia será para estudos e projectos, na perspectiva de definir o tipo de obras, no sentido de evitar erros de concepção das estruturas a serem erguidas. Todavia, o procedimento do concurso é com base à Lei 9/16 da Contratação Pública, em vigor, cujas candidaturas serão avaliadas por consultores idóneos, tendo em atenção a melhor proposta. “Pretendemos primar pela qualidade das obras. Por isso, temos sobre o que se pretende de concreto, qual tipo de bases e sub-bases, das pontes e pontões que se quer”, sublinhou.

Âmbito social

Do ponto de vista social, o administrador Manuel Campo aponta a escassez de professores e de enfermeiros, mas, aguarda o enquadramento destes, através de concursos públicos, à medida que forem realizados. Por conta disso, há dificuldades de se colocar enfermeiros em locais mais recônditos. Considera que o déficit é muito grande, pois, para um universo populacional de, aproximadamente, 25 mil habitantes, existem apenas dois médicos e 30 funcionários da Saúde, entre enfermeiros e pessoal administrativo. Quanto aos recursos humanos, a nível da Administração do Estado, está em aprovação um novo quadro orgânico, compilado no Decreto Presidencial n.º 202/2019, recentemente, aprovado, que prevê um conjunto de responsabilidades, para os municípios de nível A, B, C, e D. Porém, com a previsão dos concursos públicos, o quadro orgânico é aberto, mas a primazia caberá à mobilidade dos funcionários públicos do quadro, que se encontram em vários pontos da província para preencher as vagas existentes, e isso em conformidade com o novo paradigma.

“Precisamos, fundamentalmente, de um conjunto de saberes, sobretudo, na gestão micro e macroeconómica, como economistas, juristas, contabilistas, bem como indivíduos formados em áreas administrativas, para corresponder às tarefas que são acometidas”, almeja.

O responsável defendeu que a primeira condição, para superar a questão da permanência dos quadros nos municípios, é importante que se aplique o princípio da discriminação positiva salarial, para que os funcionários e técnicos sejam motivados a trabalhar distante dos centros urbanos.

Perspectiva económica

O relançamento da produção tradicional voltado para o cultivo do algodão constitui um dos principais desideratos da autoridade administrativa do Quela. No entanto, Manuel Campo diz existirem alguns acordos com parceiros internacionais, pois em 2016 houve um fórum internacional sobre o relançamento do algodão com a presença de vários empreendedores e a ideia mantém- se. Informou que a produção agrícola está condicionada às vias de acesso, energia e água, premissas que possam incentivar os empresários a investirem no cultivo do algodão e outras culturas tradicionais da região. “A retoma da cultura do algodão está a ser discutida no âmbito central, mas, ainda assim, já existem terrenos disponíveis para que, se alguém o quiser explorar, possa fazê-lo”, lembra, Manuel Campo.

Diamantes

Outro potencial do município é a produção semi-industrial de diamantes, porquanto, tem ocorrência desse minério ao longo de todo território. Por isso, foram credenciadas pelo Ministério dos Petróleos e Recursos Naturais, algumas cooperativas que já se encontram a operar. Nesta senda , com a elaboração do Plano Director, o turismo será contemplado aos investidores privados. “O morro de Kabatukila já houve algum investimento pertencente a um empresário. Ele contactounos recentemente para relançar a actividade turística, em parceria com empresas sul-africanas”, finalizou. O município do Quela situa-se a 100 quilómetros a Leste da cidade de Malange, município sede da província com o mesmo nome.

error: Content is protected !!