Cidadão que matou duas enfermeiras no Zango conhece a sentença hoje

O Tribunal Municipal de Viana marcou para hoje a leitura do acórdão do cidadão Tchimbandi Ngoi, de 33 anos de idade, acusado de ter matado duas enfermeiras no Zango 4, por, supostamente, terem provocado o aborto do seu filho

Por:Romão Brandão

Apesar de o julgamento já ter começado há bastante tempo, a história da morte das enfermeiras Celiza Menezes dos Santos, de 52 anos, também conhecida por “Guida”, e de Carlota Garcia, de 43 anos, continua, até ao momento, sem alguma motivação plausível. As enfermeiras, que terão ficado desaparecidas durante mais de um mês, foram encontradas mortas por não terem resistido aos golpes com martelo dados pelo réu. Depois de mortas, foram enterradas no quintal do réu, tendo assim aumentado a lista de crimes com a ocultação de cadáveres, para além de danos materiais concorridos com roubo.

As motivações primárias deste crime, que chocou a sociedade angolana, apontavam para uma possível vingança por parte de Tchimbandi Ngoi, ao aperceberse do facto de a sua esposa, Irene Kavunge, ter perdido o bebé por causa de um aborto feito por duas enfermeiras. O tribunal continua sem entender, depois de ter ouvido Irene, a irmã e mãe desta, sobre a sua versão dos factos. Houve realmente um aborto provocado, mas a versão destas três cidadãs, ouvidas no tribunal na condição de declarantes, davam para uma interrupção provocada pelo réu que teria agredido a esposa.

A então mulher do réu disse, em audiência de julgamento, não ter conhecido as enfermeiras vítimas nos autos, nem por intermédio do esposo, nem de ninguém e que esta história de que era próxima destas profissionais não passa de mais uma invenção de seu marido para buscar outra motivação do cometimento do crime. Depois de o réu a ter agredido, Irene foi parar ao hospital do Kapalanca e, por ter tido hemorragia, precisava de sangue. Quem a acompanhou foi a irmã, identificada por Lima, que confirmou o facto em tribunal, tendo acrescentado que Tchimbandi batia na irmã quase todos os dias. “Várias vezes aconselhei para que o deixasse, pois algum dia este marido tirava-lhe a vida. Quando ela o deixou, ele ainda veio com uma grade pedir desculpas e a minha irmã recusou. Ele bateu na Irene e a família toda sabe disso. Ela começou a sangrar em casa e depois foi parar no hospital”, disse, a jovem Lima.

Réu com três nomes

Para o réu, Irene e companhia estão a mentir, pois a sua esposa conheceu as vítimas nos autos, pediu-lhes auxílio para abortar o seu primogénito. Disse ainda que foi contactado pela enfermeira Guida, que o informou da situação de hemorragia por que passava a esposa. “Quando a Celiza e a Carlota apareceram em minha casa a Irene estava desmaiada e pensei que estivesse morta, por isso peguei no martelo para as assassinar. Depois a Irene acordou e levei-a para casa de uma vizinha (Marisa).

A minha mulher sempre acompanhou as conversas com as enfermeiras (que eram como se fossem da família) e ela sabia onde estas trabalhavam”, defende-se A cada declaração do réu, a irmã de Irene, bem como a família da mesma, reagia de forma controversa, por acreditarem que o réu é um autêntico mentiroso.

Em audiências anterior, pelo menos, ficou provado que o réu mentiu quanto ao seu verdadeiro nome. Isto é, o réu aparece no processo com três nomes, nomeadamente, Tchimbandi Ngoi (nome de nascença e registo como cidadão congolês), João Mbumba (nome que adoptou ao falsificar documentos para conseguir um BI angolano) e Aldair Salazar (nome que vinha pronunciado nos autos). A família da esposa conhece-o como João, o tribunal tratava-o por Aldair, mas ele é Tchimbandi.

De salientar que as vítimas faziam- se transportar numa viatura de marca Hyundai, modelo I10, cor preta, que após a consumação do ilícito e para ver-se livre do veículo, atendendo ser mecânico, desmanchou-a completamente, comercializando o motor e o chassy, ficando em sua posse os restantes acessórios. O SIC apreendeu no local do crime um martelo, uma pá utilizada na escavação, o bilhete de identidade de uma das vítimas, os documentos da viatura, bancos, portas, faróis, rádio, tejadilho e tapetes. De recordar que as duas enfermeiras trabalhavam nos hospitais Ana Paula e Mamã Jacinta, ambos em Viana.

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