CONTRIBUTOS PARA UMA RECONVERSÃO DEMOGRÁFICA E DESENVOLVIMENTO SIMÉTRICO SUSTENTADO DE ANGOLA (II )

Por:Tadeu Fortes

e) TRANSPORTES PÚBLICOS: Os poucos autocarros públicos que circulam nas grandes cidades, fazem-no num caos total. Angola está independente há 44 anos, mas só uma franja muito reduzida da sua população, cujo salário não ultrapassa os 50.000.00KZs, utiliza o muito raro transporte público. E não existe em toda Angola, um único não nacional, europeu, que faça uso de um dos nossos transportes públicos. E quase nenhum utiliza o popular táxi (azulinho/ candongueiro). O Caos faz ordem. f) BUROCRACIA DO ESTADO: Continuada, teimosa e excessiva burocratização nas repartições públicas. Excessiva, insuportável e insustentável individualização do trabalho, do qual apontamos os exemplos ainda recorrentes: – “ Não fui eu que recebi o documento!””O colega que recebeu o seu documento, está de férias!” ou “O meu colega não está, vem amanhã por favor!” E no dia seguinte. “O meu colega só regressa no final do mês”. Após o tão desejado regresso do funcionário que está sempre de férias. “Ele esteve mesmo aqui há pouco mas saíu e não deixou a chave da gaveta.” Pois o documento do paciente utente, verdadeiramente nunca chegou a “entrar”, ficou sempre onde não devia estar. Na gaveta. g) EMIGRAÇÃO: Os sinais apontam para uma realidade que está há largos anos a acontecer. Apesar de Angola no contexto africano, europeu e americano não ser caso único. Entrada clandestina de pessoas no nosso território nacional. O que pressupõe alguma dificuldade nossa para termos um controle das nossas fronteiras territoriais e marítimas. Sendo a aérea a mais eficiente pelo tipo de transporte utilizado. h) EMPREGO/DESEMPREGO: O desemprego em Angola é dos mais altos de sempre. O êxodo populacional que as províncias do nosso País se confrontam, envia-nos Tadeu Fortes este sinal. E é preciso saber lê-los. Sendo a Juventude a mais afectada, face a sua densidade, relativa a totalidade da população. Não obstante se terem criadas, nos últimos anos inúmeras empresas privadas que absorveram muita população jovem, elas, na sua maior parte estão ainda muito centradas na Capital, não resolvendo de todo esse problema que está identificado em todo o País. Continuamos a privilegiar Luanda no que diz respeito aos “Mega Projectos” quer de requalificação urbana, quer de desenvolvimento económico. Os maiores investimentos continuam a ser pensados e materializados em torno da província de Luanda, o que tem acentuado as assimetrias regionais, provinciais em Angola. E com consequências dramáticas, económicas e sociais, para as nossas populações nas outras províncias do País, constituíndo um tratamento discriminatório do Estado, perante as populações oriundas e residentes 31 O PAÍS Quarta-feira, 02 de Outubro de 2019 naquelas Províncias. i) FINANÇAS: Desvalorização continuada da nossa moeda nacional, acima já dos 50% face as moedas de referência internacional. Como consequência imediata, uma continuada redução drástica, correspondente àquela desvalorização percentual, do poder de compra dos cidadãos angolanos. Confrontamo-nos hoje, claramente com uma invasão da pobreza, a atingir já de forma reiterada a classe média, se utilizarmos como padrão de referência, a estratificação social discutida e proposta por diferentes analistas sociais. Uma mobilidade descensional. j) FOME: Uma dura e crua realidade que invadiu uma grandíssima maioria das casas das famílias angolanas nos tempos de hoje. Inacreditável que passados 44 anos de Independência, o povo esteja a passar por dificuldades, superiores ao do período de Guerra colonial e ao da guerra Civil. k)FAMÍLIAS A DESESTRUTURAREM- SE. Uma inevitabilidade da Pobreza. Quanto maior forem as dificuldades económicas e sociais, maior o número de crianças que ficarão fora do subsistema de Ensino, maior o número de crianças e jovens que povoarão as ruas, estradas e tomarão os passeios. Mais pessoas nos hospitais, menos pessoas a produzirem. Consequentemente maior criminalidade e mais perdas de vida. Daí verificarmos esta mobilidade familiar na procura de melhores condições de vida. Pais, filhos maiores, menores a abandonarem os seus lares, as suas províncias, com ou sem consentimento dos seus familiares responsáveis, em busca do “possível” que não é “nada” geradores de um desastre desestruturante nas famílias angolanas. Como Resolver? Algumas pistas para aquilo que designo por reconversão demográfica, económica e social no sentido de atrair as populações para as suas zonas de origem/residência. Sugestões/Propostas: 1. MUDANÇA NO PARADIGMA DE GOVERNAÇÃO. A adopção de um modelo estratégico de governação que passe por uma mobilidade periódica do centro do poder político (Cidade Alta), para as baixas das diferentes cidades capitais Povinciais. O executivo, mediante um cronograma de trabalho interno, afinado pelos próprios nos seus detalhes, mudava-se de forma alternada para as províncias sedes. De forma fundamentada, para aquelas tidas como estratégicas. . Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Pós Graduação Em Estudos africanos

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