Assassino das duas enfermeiras condenado a 27 anos

As juízas da secção instalada no Palácio de Justiça de Viana concluíram, em nome do povo angolano, que essa deve ser a pena aplicada ao arguido em função do concurso de crimes, isso é, o duplo homicídio e furto da viatura em que seguiam as vítimas. Porém, não aplicaram a aludida pena com recurso a uma medida extraordinária

A equipa de juízes da 17ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda condenou, ontem, a pena de 27 anos de prisão maior, o cidadão Tchimbandi Ngoi, de 33 anos, por ter assassinado barbaramente duas enfermeiras no Zango 4, por, alegadamente, terem provocado o aborto do seu filho. Para além do tempo que ele deverá permanecer encarcerado, a corte de juízas, aplicoulhe o pagamento de dois milhões de kwanzas às famílias de Celiza Menezes dos Santos de 52 anos, também conhecida por “Guida”, e de Carlota Garcia, de 43 anos, sendo um milhão de Kwanzas cada, 150 mil Kwanzas de taxa de justiça. Ambas trabalhavam nos hospitais Ana Paula e Mamã Jacinta, em Viana.

O Ministério Público, por imperativo legal, anunciou que vai interpor um recurso que deverá subir com os autos à Câmara de Crimes Comuns do Tribunal Supremo para ser analisada. Caberá aos magistrados desse tribunal superior manter, reduzir ou aumentar a sanção ora aplicada.

De acordo com uma fonte de OPAÍS, se as juízas desta secção, instalada no Palácio de Justiça de Viana, decidissem aplicar a pena com recurso a medida extraordinária, a mesma poderia atingir até os 30 anos. A audiência, constituída maioritariamente por familiares das vítimas, ficou chocada ao relembrar, ouvindo a leitura dos quesitos, os últimos momentos de vida de “Guida” e de Carlota, que foram arrancadas abruptamente do seu convívio. Ambas foram mortas com golpes de martelo e enterradas no quintal de uma residência no Zango 4, município de Viana.

As enfermeiras ficaram desaparecidas durante mais de um mês e foram encontradas mortas por não terem resistido aos golpes com martelo dados pelo réu. Depois de mortas, foram enterradas no quintal do réu, tendo, assim, aumentado a lista de crimes com a ocultação de cadáveres, para além de danos materiais concorridos com roubo. As motivações primárias deste crime, que chocou a sociedade angolana, apontavam para uma possível vingança por parte de Tchimbandi Ngoi, ao aperceber- se do facto de a sua esposa, Irene Kavunge, ter perdido o bebé por causa de um aborto feito por duas enfermeiras.

O Tribunal concluiu que o aborto foi provocado pelas agressões que ela terá sofrido do seu esposo. As duas enfermeiras deslocaram- se até a casa do casal, arrendada, no Zango 4, com o objectivo de ajudar a paciente, depois de terem sido contactadas pelo esposo dela por telefone. Celiza, que era parteira, foi quem entrou na residência, enquanto a colega a aguardava no interior da viatura. Foi recebida com golpes de martelo desferidos na cabeça, supostamente pelo esposo da paciente, tendo conhecido morte imediata.

Acto contínuo, o agora culpado de homicídio convidou Carlota Garcia, que aguardava na viatura, a entrar em casa, alegadamente para ajudar a colega. Esta também teve a mesma sorte ao ser surpreendida com vários golpes de martelo até à morte. Com o propósito de apagar as provas do crime, o indivíduo, na sua qualidade de mecânicoauto, apoderou-se da viatura da vítima Celiza dos Santos e a desmontou peça por peça, bem como o motor do Hyundai I10, que vendeu por 500 mil kwanzas. Como prova material, o SIC juntou ao processo um martelo, uma pá utilizada na escavação, o bilhete de identidade de uma das vítimas, os documentos da viatura, bancos, portas, faróis, rádio, tejadilho e tapetes do carro.

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