Companhia de Dança Contemporânea de Angola inicia digressão pela Europa

Membro do Conselho Internacional da dança da UNeSCO, a CdCA possui um historial de centenas de espectáculos apresentados em Angola e em todos os continentes, sendo hoje a principal referência da dança cénica angolana no estrangeiro

Dez espectáculos, em diversas cidades da Europa, marcarão a digressão da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDCA), entre os dias 5 e 31 do corrente mês. Holanda e Portugal estão, entre outros países, inseridos na agenda.

O show terá início Sábado, 5, em Amsterdão no Afro-Vibes Art Festival, com a peça “O Monstro está em Cena”, de Ana Clara Guerra Marques e Nuno Guimarães, ao que se seguirá a participação na Quinzena Internacional de Dança em Almada. “O Monstro Está Em Cena” é uma peça que convida à reflexão sobre o ser humano enquanto protagonista de um mundo onde cresce a violência, o individualismo e a intolerância.

Os novos modelos capitalistas baseados no consumismo e nos conflitos entre os diferentes grupos étnicos, religiosos ou políticos promovem o surgimento de novos “muros” e a resignação perante as assimetrias entre fausto e miséria. As questões de género e a condição de inferioridade imposta à mulher são, igualmente, alvo desta desconfortante introspeção sobre a condição humana.

O espectáculo prossegue nos dias 11 e 12 em Faro, Montemoro- Novo, dia 16 e 25 em Ponte de Lima e Coimbra no último 31. Ainda nos dias 22 e 23, a CDC Angola fará uma apresentação especial no Porto, levando ao grande palco a peça “Mysterium Coniunctionis”, de Joana Von Mayer Trindade e Hugo Cristóvão. Já esta peça retrata “Duas solidões (+ 1) em contraposição, uma masculina e outra feminina, constroem e desconstroem um objecto cénico duplo (+1) e híbrido, distinguindo sexualidade e género a cada minuto.

Sob a inspiração do reflexo, do fugaz, e do narcísico, da curiosidade extrema perante si, revela- se coreograficamente como simultânea diferença e simultânea identidade, recusando a rigidez das marcas de masculino e feminino. Um díptico invertido (+1), no outro lado do espelho, que espelha a queda e assimilação de um no outro, um pelo outro, e um com o outro, para lá do outro.

O lado de lá das superfícies bidimensionais transforma o plano superficial da linha geométrica em profundidade e presença do vivo.

A forma própria que se mostra por um pensamento em diagonal cruzando o espaço cénico, divergindo passo a passo para o mistério da conjunção e para a rebeldia política do prazer que a cria.” O programa será ainda complementado com master classes e conferências, e a exibição no dia 8 do documentário sobre a CDC Angola, com o título “Outros Rituais Mais ou Menos”, de Jorge António, na Cinemateca Portuguesa em Lisboa e, no dia 28, a apresentação do livro “Máscaras Cokwe: a linguagem coreográfica de Mwana Phwo e Cihongo” de Ana Clara Guerra Marques, na Universidade de Coimbra.

A Companhia

Recorde-se que a Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDCA), à qual se deve a grande transformação do panorama da dança em Angola, foi fundada em 1991, e é membro do Conselho Internacional da Dança da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), possui um historial de centenas de espectáculos apresentados em Angola e em todos os continentes, sendo hoje a principal referência da dança cénica angolana no estrangeiro.

A CDC Angola é suportada pelo Banco BAI, cuja sensibilidade e respeito pelo seu trabalho são demonstrados pelo apoio continuado que tem ajudado a manter o funcionamento deste colectivo.

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