Posição geostratégica do Caminho de Ferro de Benguela em debate em Congresso

O Instituto Superior Politécnico Católico (ISPOCAB) realiza de 1 a 4, na comuna do Luongo, município da Catumbela, o seu I Congresso Nacional com olhos postos nos Caminhos de Ferro de Benguela

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

O secretário de Estado do Ensino Superior, Eugénio da Silva, espera que o I Congresso Nacional sobre os Caminhos de Ferro de Benguela, promovido pelo Instituto Superior Católico de Benguela (ISPOCAB), faculte contributos capazes de influenciar os processos decisórios locais e nacionais.

Durante quatro dias, as ideias dos especialistas vão gravitar à volta de um dos empreendimentos mais importante na economia benguelense, o Caminho de Ferro de Benguela (CFB), sugerindo ideias para as melhores práticas de gestão, a julgar pela posição geoestratégica da empresa na região austral de África. Especialistas entendem que o Caminho de Ferro de Benguela devia contribuir mais para a economia do país, não fossem as estratégias estarem muito aquém do desejado.

Eles admitem estar a faltar a redefinição de estratégia por parte do Executivo, sustentando que se tivesse pensado num evento dessa natureza de modo a produzir-se ideias que possam, de certa medida, facultar contributos para o desenvolvimento da empresa ferroviária. A actividade científica, subordinada ao tema “Caminho de Ferro de Benguela: Desafios para Século XXI – uma abordagem multidisciplinar”, reúne académicos, investigadores, governantes, entidades eclesiásticas, entre outros, e foi desenhada a pensar no CFB, um dos pulmões do corredor do Lobito.

De entre as abordagens criteriosamente seleccionadas pela organização, os destaques recaem, precisamente, para a rede ferroviária de Benguela – contributo para a educação e a economia na África Austral, pobreza, crescimento demográfico e as suas consequências para o meio ambiente e enfoque geoestratégico do CFB para o desenvolvimento sustentável da região austral.

O secretário de Estado do Ensino Superior, Eugénio da Silva, olha para o evento com muita expectativa, na medida em que o debate científico em curso no Luongo possa gerar contributos capazes de influenciar os processos decisórios, bem como as políticas locais e nacionais. “O ISPOCAB, ao realizar este congresso, dão um sinal de compromisso face aos problemas do contexto em que se insere e de engajamento na procura de soluções”, considera o governante.

O bispo da diocese de Benguela e Magno Chanceler do ISPOCAB, Dom António Jaca, defende a necessidade de as instituições do ensino superior trabalharem seriamente na investigação científica, lamentando, contudo, o facto de as universidades angolanas figurarem a última posição no ranking da investigação no continente africano, por isso insta o governo a investir mais nesta área. “As universidades católicas, neste particular, devem ser primeiras e estar sempre no topo, quando se trate de excelência do ensino, da produção científica”, aconselha. Para o presidente do Conselho de Administração do CFB, o evento afigura-se como uma ajuda que a academia presta à empresa sob sua jurisdição e manifesta-se convencido de que os debates propostos pelo ISPOCAB produzirão, seguramente, soluções para a sua gestão, embora advirta que vá apenas implementar “aquilo que for possível”.

Comboios nocturnos para estudantes

Uma das questões que as instituições escolares levantam, ultimamente, está relacionada com a transportação de estudantes e apontam o dedo ao CFB, por, alegadamente, não dar muita importância, prova disso é que ainda não implementou o comboio nocturno para facilitá-los. Em declarações à imprensa, Luís Teixeira salientou que a área comercial da empresa fez uma pesquisa junto de algumas instituições de ensino e aventa a possibilidade de se realizar comboios nocturnos no percurso Benguela/Lobito/Benguela, face à demanda de estudantes naquele período, apesar de se queixar de insuficiência de vagões e carruagens. “Sabemos que existe uma grande dificuldade no transporte”, reconhece, para quem o troço mais crítico é Huambo/Luena/ Luau.

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